Vale da Celulose impulsiona nova fase de crescimento industrial em Mato Grosso do Sul

Compartilhe:

Mato Grosso do Sul consolida, mais uma vez, sua posição como um dos principais polos mundiais da produção de celulose. A aprovação unânime da Licença Prévia para a instalação da fábrica da Bracell em Bataguassu marca não apenas a chegada da sexta planta industrial do setor no Estado, mas também um novo salto para o chamado Vale da Celulose, região que transformou MS em protagonista global na cadeia florestal.

Com a implantação prevista para iniciar após a emissão da Licença de Instalação – estimada pelo governo estadual para ocorrer até fevereiro –, o empreendimento colocará MS em um novo patamar produtivo. A Bracell prevê investir R$ 16 bilhões, gerar 12 mil empregos na fase de obras e manter 2 mil postos diretos na operação. Trata-se de um dos maiores investimentos privados da história do Estado.

MS se firma como destino preferencial da indústria de celulose

O ambiente regulatório mais ágil, a política de desenvolvimento sustentável e a segurança jurídica têm sido fatores decisivos para atrair novos empreendimentos. A Semadesc, por meio do secretário Jaime Verruck, vem coordenando ações para garantir licenças rápidas, rigor técnico e diálogo com os municípios envolvidos.

A instalação da Bracell reforça o ciclo iniciado há mais de uma década com a expansão de empresas como Suzano e Eldorado Brasil, que transformaram Três Lagoas em referência mundial. Hoje, essas plantas já respondem por 5,6 milhões de toneladas/ano de celulose produzidas no Estado — um salto gigantesco considerando que, em 2012, MS produzia apenas cerca de 1,3 milhão de toneladas.

Com a nova fábrica, o Estado poderá atingir 8,5 milhões de toneladas/ano até 2029, tornando-se o maior produtor do Brasil.

Nova fábrica amplia diversificação industrial

A futura planta em Bataguassu terá um diferencial estratégico: será a primeira do Estado a produzir celulose solúvel, insumo utilizado na fabricação de têxteis, filtros, produtos especiais e materiais de alta performance. Esse segmento cresce de forma consistente no mercado global, especialmente na Ásia.

A projeção de produção é:

  • 2,92 milhões t/ano de celulose kraft (Composição A)
  • Até 2,6 milhões t/ano de celulose kraft + solúvel (Composição B)

Além disso, a indústria terá forte impacto energético: os sistemas de cogeração poderão gerar 462 MW, reforçando a matriz de bioenergia de MS.

O consumo anual estimado é de 12 milhões de m³ de eucalipto, que serão fornecidos por municípios como Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Três Lagoas.

Projeto da nova indústria Bracell em Bataguassu

Desenvolvimento regional e impacto social

O governo estadual reforça que o Plano Básico Ambiental será construído juntamente à população de Bataguassu, garantindo que o município se prepare para:

  • aumento populacional durante as obras,
  • demanda por habitação, saúde e educação,
  • qualificação de mão de obra,
  • melhoria da infraestrutura urbana e viária.

A experiência de Três Lagoas mostra o tamanho do impacto positivo: nos últimos 15 anos, o município quadruplicou o PIB, passando de R$ 2,9 bilhões (2008) para mais de R$ 14 bilhões em 2022, segundo o IBGE. Hoje, os polos de celulose respondem por mais de 40% das exportações do município.

Estudo da Fiems mostra ainda que o setor florestal e de celulose gera aproximadamente 16 mil empregos diretos em MS — número que deve subir significativamente com o novo ciclo de investimentos.

A evolução REAL da capacidade de produção de celulose em MS

O gráfico abaixo demonstra o crescimento do Estado desde 2012, com projeção pós-Bracell:

Compromissos ambientais rigorosos

O empreendimento recebeu parecer favorável após análise de um EIA/RIMA de 8.651 páginas, incluindo audiência pública. A Bracell terá de executar 26 programas ambientais, abrangendo:

  • monitoramento de águas, ar, fauna e flora,
  • gerenciamento de resíduos,
  • planos de controle de riscos e processos erosivos,
  • mitigação de impacto urbano,
  • saúde e segurança do trabalhador.

Essa exigência reforça o modelo de licenciamento de MS, reconhecido por unir agilidade com rigor técnico — argumento que tem atraído grandes investidores do setor.

A chegada da Bracell a Bataguassu confirma uma tendência: Mato Grosso do Sul tornou-se o novo epicentro da celulose no Brasil e na América Latina. O Estado reúne matéria-prima abundante, logística favorável, segurança jurídica e políticas públicas que estimulam o desenvolvimento sustentável.

Para os municípios, representa novas oportunidades de emprego, renda, qualificação e crescimento econômico. Para MS, consolida um ciclo industrial que não mostra sinais de desaceleração.

Por: Amanda Coelho com informações da Semadesc
Fotos: Arquivo/Divulgação