Pecuária intensiva impulsiona desempenho de MS e reforça liderança em produtividade e qualidade da carne

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A pecuária de Mato Grosso do Sul inicia 2025 sustentando um dos ciclos mais fortes de intensificação já registrados no Estado, acompanhando o movimento nacional identificado pelo Confina Brasil 2025, mas mantendo diferencial em eficiência, rendimento de carcaça e peso nas exportações.

Dados do Iagro mostram que MS fechou 2024 com 3,5 milhões de cabeças abatidas, avanço de 11% sobre o ano anterior — ritmo superior ao de outros grandes polos pecuários. O rebanho estadual alcançou 18,9 milhões de animais, consolidando a posição do Estado entre os cinco maiores produtores do país.

O uso de confinamento e semiconfinamento também cresceu. Segundo a Semadesc, Mato Grosso do Sul ultrapassou 1,1 milhão de bovinos terminados em sistemas intensivos em 2024. O Confina Brasil projeta 8,3 milhões de animais confinados no Brasil em 2025, e MS permanece como um dos principais contribuintes dessa estrutura, sustentado por disponibilidade de grãos, logística favorável e adoção crescente de tecnologias de terminação.

O rebanho confinado vem se destacando e crescendo no estado, acompanhando o Brasil

Maior rendimento

O rendimento de carcaça confirma essa evolução. Levantamento da ABRAFRIGO e da Semadesc aponta 56,2% de rendimento médio em 2024, desempenho acima da média nacional de 55,6% mencionada no Confina Brasil. A combinação de genética refinada, manejo nutricional eficiente e maior padronização dos lotes faz com que o boi sul-mato-grossense mantenha forte competividade entre os frigoríficos.

A idade de abate — que vem caindo em todo o país — também reduziu em MS. Informações consolidadas por estudos regionais mostram abates majoritariamente entre 22 e 28 meses para machos e 20 a 26 meses para fêmeas, refletindo avanços na recria, nutrição e planejamento sanitário. A redução da idade melhora a eficiência, diminui custos de produção e contribui para menor emissão por animal.

MS e a excelência na exportação

No comércio exterior, os resultados reforçam o papel estratégico do Estado. Em 2024, Mato Grosso do Sul exportou 420 mil toneladas de carne bovina, somando US$ 1,9 bilhão em receita (Secex). A China permaneceu como principal mercado, seguida de Estados Unidos e Chile. A crescente padronização das carcaças oriundas de sistemas intensivos tem permitido ao Estado acessar e manter mercados de maior exigência e valor agregado.

Apesar do crescimento expressivo da pecuária intensiva no Norte e Nordeste — como destaca o Confina Brasil — MS segue entre os pilares dessa estrutura no país. Regiões como Costa Leste, Bolsão, Dourados e Campo Grande reúnem algumas das maiores operações de terminação intensiva do Brasil e continuam atraindo produtores que terceirizam a etapa final da engorda.

Com indicadores sólidos e ganhos consistentes de eficiência, Mato Grosso do Sul chega a 2025 em posição privilegiada: produz mais, com carcaça melhor, idade menor e previsibilidade maior, reforçando o protagonismo do Estado na pecuária moderna brasileira.

Por: Henrique Theotônio e Amanda Coelho