O terceiro trimestre de 2025 confirmou um dos momentos mais fortes da história recente da pecuária brasileira. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (10) apontam que o país registrou recordes nos abates de bovinos, suínos e aves, consolidando um ciclo de crescimento sustentado pela combinação de demanda aquecida, custos de produção mais favoráveis e sanidade animal controlada. Nesse cenário, Mato Grosso do Sul desponta como um dos principais motores desse avanço nacional.
Abate de bovinos em Frigorífico em Rochedo
Brasil atinge novo recorde histórico
Segundo o IBGE, no terceiro trimestre de 2025 o Brasil abateu:
11,28 milhões de bovinos, crescimento de 7,4% na comparação anual;
15,81 milhões de suínos, alta de 5,3%;
1,69 bilhão de frangos, avanço de 2,9%.
A gerente de Pecuária do IBGE, Angela Lordão, atribui o desempenho à combinação entre demanda consistente, boa safra de grãos, que reduziu custos de ração, e controle sanitário eficiente, fatores que ampliaram a competitividade da produção nacional. A produção de carcaças bovinas somou 2,97 milhões de toneladas, aumento de 6,5%, impulsionada principalmente pelas exportações, que se mantiveram firmes mesmo após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos.
Mato Grosso do Sul reforça protagonismo
Tradicional protagonista no mercado de proteína animal, Mato Grosso do Sul manteve desempenho elevado em 2025, confirmando sua relevância no cenário nacional e internacional. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) mostram que, entre janeiro e outubro, o Estado:
Exportou mais de 190 mil toneladas de carne bovina, permanecendo entre os três maiores exportadores do país;
Gerou receita superior a US$ 940 milhões, aproximando-se do recorde histórico registrado em 2023;
Teve a China como principal destino, seguida por Chile, Emirados Árabes Unidos e Egito.
O desempenho poderia ter sido ainda maior não fossem as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que reduziram temporariamente a competitividade brasileira naquele mercado. Ainda assim, o impacto foi mitigado em Mato Grosso do Sul graças à diversificação de destinos, ao fortalecimento das plantas frigoríficas locais e à atuação coordenada das entidades representativas do setor.
Para o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, os resultados refletem um trabalho de longo prazo do setor produtivo sul-mato-grossense. “Mato Grosso do Sul colhe hoje os frutos de investimentos contínuos em sanidade, tecnologia e organização produtiva. Mesmo diante de desafios externos, como o tarifaço, o Estado mostrou resiliência e capacidade de se reposicionar nos mercados internacionais. A pecuária sul-mato-grossense é reconhecida pela confiabilidade, e isso é decisivo para manter competitividade e gerar renda no campo”, afirma.
Mercado interno aquecido e produção em alta
No mercado doméstico, o Estado também apresentou sinais positivos ao longo do ano. Houve aumento no volume de animais terminados em confinamento, favorecido pelo custo mais baixo da ração, além de oferta ajustada e preços mais estáveis pagos ao produtor quando comparados a outros estados do Centro-Oeste.
Outra tendência observada foi o crescimento da demanda por carne premium e cortes de maior valor agregado, especialmente em polos urbanos como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. Relatórios da Iagro e da Famasul indicam que Mato Grosso do Sul deve encerrar 2025 com um dos maiores volumes de gado abatido dos últimos anos, resultado direto da sanidade exemplar e do aumento do número de animais prontos para o abate.
Suinocultura acompanha avanço nacional
O crescimento também se reflete na suinocultura, segmento que vem ganhando espaço nas exportações e na produção industrial do Estado. Em nota, a Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores) destacou que o desempenho atual é fruto de uma construção coletiva e contínua.
“A suinocultura sul-mato-grossense tem participado ativamente desse avanço nacional nas exportações porque o setor fez a lição de casa: investiu em sanidade, certificações, rastreabilidade e na manutenção do nosso status sanitário. Esse trabalho não é de um ano, mas de uma construção contínua entre produtores, indústria e entidades”, afirma a entidade.
Granja de suínos em São Gabriel do Oeste
A Asumas ressalta ainda que atuou junto aos órgãos oficiais, apoiou auditorias, reforçou protocolos de biosseguridade e buscou ampliar o acesso a mercados que valorizam carne produzida com rigor sanitário e sustentabilidade. “O recorde de abates divulgado pelo IBGE mostra que o Brasil amplia sua presença global, e Mato Grosso do Sul tem condições de aproveitar ainda mais esse momento. Para isso, é fundamental manter a estabilidade sanitária, diversificar mercados e garantir políticas públicas que deem segurança ao produtor”, pontua a associação.
Atuação institucional fortalece o setor
Além da Acrissul e da Asumas, outras entidades como a Nelore-MS e a Avimasul têm reforçado, ao longo de 2024 e 2025, a importância da sanidade, da qualidade genética e da diversificação de mercados como pilares da competitividade sul-mato-grossense. A atuação conjunta dessas instituições foi decisiva para reduzir impactos da instabilidade política e das barreiras comerciais, fortalecendo a defesa técnica e institucional do Estado junto aos principais mercados importadores.
Ampliação de granja de aves em Aparecida do Taboado
Referência nacional em resiliência e competitividade
Mesmo diante de um cenário externo desafiador, marcado por tarifas e incertezas políticas, Mato Grosso do Sul consolidou-se como um dos estados mais resilientes da pecuária brasileira. O tripé formado por infraestrutura em expansão, sanidade exemplar e articulação institucional eficiente permitiu ao Estado manter sua participação nas exportações, ampliar mercados e fortalecer sua imagem como fornecedor confiável de proteína animal.
Enquanto os números nacionais confirmam a força do Brasil no cenário global, os dados regionais evidenciam que Mato Grosso do Sul é protagonista desse avanço, com produção crescente, geração de empregos e contribuição direta para o PIB estadual.