
Com a participação de quase 400 pessoas, o 1º MS Citrus Summit – A Nova Fronteira da Citricultura confirmou que Mato Grosso do Sul avança de forma estruturada na consolidação de uma nova cadeia produtiva com potencial para gerar até 10 mil empregos e impactar diretamente cerca de 30 municípios. Realizado em Três Lagoas, o evento reuniu produtores, especialistas, pesquisadores e gestores públicos para alinhar estratégias e discutir os próximos passos da citricultura no Estado.
Promovido pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc, com apoio da Iagro, Agraer e da Prefeitura de Três Lagoas, o Summit combinou capacitação técnica, debates sobre defesa sanitária e, na etapa final, uma visita de campo que permitiu aos participantes conhecer, na prática, uma citricultura já em operação no Estado.


A programação começou no dia 10 de dezembro com treinamento de equipes técnicas de 30 prefeituras, além de servidores da Agraer e da Iagro, com foco em fiscalização, troca de experiências e prevenção de pragas, especialmente o greening — uma das maiores ameaças à citricultura mundial. As atividades foram encerradas com uma visita técnica à Fazenda Paraíso, localizada próxima a Água Clara, referência em fruticultura em Mato Grosso do Sul.
A propriedade iniciou o plantio em 2007 e atualmente cultiva 230 hectares de citros, com produção destinada tanto ao mercado de mesa quanto à indústria. As frutas selecionadas abastecem consumidores de Campo Grande, Belo Horizonte, Ceasa de São Paulo, Rondônia e Manaus, enquanto a produção fora do padrão segue para a indústria paulista. Durante a visita, os participantes acompanharam de perto o manejo da cultura, os tratamentos fitossanitários, as variedades e porta-enxertos adaptados à região, além dos resultados obtidos com o cultivo de limão Tahiti.
Também foram apresentados os sistemas de irrigação, com informações técnicas sobre consumo de água, custos e impactos na produtividade, além das práticas de gestão de pessoas adotadas pela fazenda. Atualmente, cerca de 80 trabalhadores, principalmente do Nordeste, atuam na colheita e permanecem na propriedade por aproximadamente dez meses, com acesso a alojamento, alimentação e estrutura de apoio.


Na abertura do Summit, o governador Eduardo Riedel destacou que a citricultura em Mato Grosso do Sul é uma oportunidade que começa praticamente do zero, mas com planejamento e responsabilidade. Segundo ele, o Estado trabalha para criar um ambiente seguro e atrativo para investidores, com base técnica sólida e rigor sanitário.
Mesmo ainda fora do ranking dos maiores produtores nacionais, Mato Grosso do Sul já registra forte expansão da atividade. Grupos como Cutrale, Citrosuco, Cambuy, Frucamp, Agro Terena e Grupo Junqueira Rodas estão implantando ou ampliando pomares, além de produtores independentes. A expectativa é superar 15 mil hectares já plantados, com outros 40 mil hectares em implantação em municípios como Sidrolândia, Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Cassilândia, Paranaíba e Aparecida do Taboado.
O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, afirmou que a consolidação da cadeia é resultado de planejamento e integração entre setor público e privado, enquanto o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, destacou que o diferencial do Estado é expandir a citricultura sem desmatamento, utilizando áreas de pastagens já abertas.
Para Beretta, a visita técnica à Fazenda Paraíso reforçou o objetivo central do MS Citrus Summit: mostrar que, além do planejamento, Mato Grosso do Sul já conta com exemplos concretos de citricultura tecnificada, produtiva e alinhada às exigências sanitárias e ambientais do mercado.
Por: Amanda Coelho com informações da Semadesc
