
O reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação, oficializado em 2025, reposicionou a suinocultura de Mato Grosso do Sul no mapa internacional de proteínas animais. O novo status sanitário amplia a confiança de importadores, fortalece a imagem de segurança do produto brasileiro e cria um ambiente mais favorável para investimentos, movimento que já se reflete em indicadores de produção, abate e exportação no estado.
Produção em trajetória de crescimento
Dados do IBGE, por meio da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais e da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), mostram que Mato Grosso do Sul vem mantendo trajetória consistente de crescimento na suinocultura ao longo da última década. O número de suínos abatidos no estado saiu de pouco mais de 2,3 milhões de cabeças em 2015 para cerca de 3 milhões de cabeças em 2023, acompanhando a expansão da capacidade industrial e a profissionalização das granjas.
Somente em novembro, os frigoríficos sul-mato-grossenses registraram o abate de 311,1 mil suínos, alta de 4,96% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do setor compilados pela Famasul. O avanço confirma o bom momento da cadeia, impulsionado por mercado externo aquecido e maior eficiência produtiva.

Exportações em alta
O ganho de status sanitário ocorre em um cenário já positivo para o comércio exterior. Em novembro, Mato Grosso do Sul exportou 1,84 mil toneladas de carne suína in natura, com receita de US$ 4,49 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, os embarques somaram 20,7 mil toneladas, gerando US$ 49,2 milhões, crescimento de 11,76% na comparação anual.
Os principais destinos da carne suína produzida no estado incluem Singapura, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, mercados conhecidos pelo elevado rigor sanitário, agora ainda mais acessíveis com o novo reconhecimento internacional.

Indústrias e municípios que puxam o crescimento
A base industrial é um dos pilares da suinocultura sul-mato-grossense. O estado abriga plantas frigoríficas de grupos como JBS/Seara, BRF e Aurora Coop, além de unidades regionais que abastecem tanto o mercado interno quanto o externo. Esses empreendimentos têm papel decisivo na interiorização do desenvolvimento e na geração de empregos.
Municípios das regiões Sul e Centro-Sul do estado, como São Gabriel do Oeste, Sidrolândia, Dourados e Maracaju, figuram entre os principais polos de produção, concentrando granjas tecnificadas, integração com agroindústrias e acesso facilitado à logística.

Qualidade e biosseguridade como diferencial
Para a consultora de economia da Famasul, Eliamar de Oliveira, o novo status sanitário funciona como um selo de confiança internacional. “A certificação amplia o valor estratégico da produção sul-mato-grossense e consolida a imagem de segurança sanitária no mercado global. Ao mesmo tempo, exige compromisso permanente de toda a cadeia com padrões elevados de biosseguridade”, avalia.
A consultora técnica da Famasul, Fernanda Lopes, reforça que práticas como controle rigoroso de acesso às granjas, planos de contingência e monitoramento contínuo do plantel são determinantes para a manutenção dos mercados. Segundo ela, a valorização recente do suíno vivo está ligada principalmente à combinação de oferta equilibrada, demanda firme e exportações aquecidas, com o status sanitário atuando como fator de sustentação de longo prazo.
Papel da ASSUMAS e visão do setor
A Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASSUMAS) avalia que o novo cenário sanitário coloca o estado em posição estratégica para acelerar investimentos. Em manifestações públicas, o presidente da entidade tem destacado que Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, sanitárias e ambientais para ampliar a produção com competitividade, desde que haja continuidade nos incentivos à modernização das granjas e à ampliação industrial.
De acordo com a ASSUMAS, a integração entre produtores, agroindústrias e poder público será decisiva para sustentar o crescimento sem perder eficiência e controle sanitário.

Projeções e incentivos
No médio prazo, a expectativa do setor é de novos investimentos em ampliação de plantas frigoríficas, genética, nutrição e automação das granjas, apoiados por programas estaduais de incentivo ao desenvolvimento industrial e agropecuário, como políticas coordenadas pela Semadesc e linhas de crédito vinculadas ao Plano Safra.
Com status sanitário diferenciado, base industrial consolidada e produtores cada vez mais tecnificados, a suinocultura de Mato Grosso do Sul se consolida como uma das cadeias mais organizadas e promissoras do agronegócio estadual.
Por: Amanda Coelho
Com informações: IBGE (PPM e Pesquisa Trimestral do Abate de Animais); Famasul; Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); ASSUMAS.
Fotos: Divulgação
