França suspende importação de frutas da América do Sul com agrotóxicos proibidos na União Europeia

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A França anunciou neste domingo (4/1) que vai suspender a importação de produtos agrícolas como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs provenientes da América do Sul e de outras regiões que apresentem resíduos de substâncias proibidas pela União Europeia usadas em alguns agrotóxicos. A decisão foi divulgada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e a ministra da Agricultura, Annie Genevard, por meio de publicações na rede social X (antigo Twitter).

A norma vai barrar a entrada de produtos agrícolas que contenham resíduos de mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, defensivos agrícolas que tem seu uso vetado pelas regras sanitárias europeias.

“Melões, maçãs, damascos, cerejas, morangos, uvas, batatas: eles só estarão à venda na França se não apresentarem resíduos dessas substâncias proibidas em nosso país. Outros produtos da América do Sul, como abacates, mangas, goiabas, ou certos cítricos de outras regiões, só serão autorizados a entrar se estiverem em conformidade com nossos padrões”, disse Genevard na rede social.

Segundo Lecornu, uma portaria será publicada nos próximos dias. De acordo com o primeiro-ministro, a fiscalização será reforçada por uma brigada especializada, responsável por intensificar os controles nos pontos de entrada do país para garantir o cumprimento da legislação sanitária francesa.

Lecornu afirmou que a iniciativa representa um passo inicial para resguardar as cadeias produtivas do país e os consumidores franceses, além de enfrentar o que chamou de práticas desiguais no comércio internacional. De acordo com o primeiro-ministro, a medida tem como objetivo assegurar condições equilibradas para os agricultores locais, que estão sujeitos a normas de produção mais rigorosas.

O anúncio ocorre em um contexto de mobilizações dos agricultores no país, onde agricultores realizam bloqueios e protestos relacionados à oposição ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que teve sua assinatura adiada para o mês de janeiro.

“As importações, independentemente de sua origem no mundo, devem cumprir nossos padrões. A França está dando o exemplo na Europa ao emitir este decreto sem precedentes, que diz respeito a mais de uma dúzia de produtos alimentícios”, acrescentou a ministra. Em 2025, a França respondeu por menos de 1% das exportações brasileiras de frutas para a União Europeia, com 7,8 mil toneladas de um total de 889,6 mil toneladas no acumulado até novembro.

Trabalhador aplicando defensivo em produção cítrica

Uso de defensivos no Brasil

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, em 2025 o Brasil bateu o recorde em relação ao registro de novos defensivos agrícolas, com 912 novos registros.

Os dados consolidados sobre o uso de defensivos agrícolas no Brasil em 2025 ainda não foram divulgados. No entanto, a área tratada com defensivos agrícolas aumentou 3,1% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg). No intervalo analisado, a área total tratada ultrapassou 1,1 bilhão de hectares.

Com base nesse desempenho, a expectativa do Sindiveg é de que o uso de defensivos agrícolas encerre 2025 com alta de 3,4% na área tratada (PAT) em relação a 2024. A projeção indica que a PAT total pode superar 2,6 bilhões de hectares no acumulado do ano.

No recorte por culturas, no entanto, o segmento de hortifruti responde por cerca de 1% do uso total de defensivos agrícolas no país.

Por: Globo Rural