
O primeiro relatório de oferta e demanda mundial de soja do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aumentou as expectativas com a produção de soja em 2025/26. A estimativa para a produção mundial cresceu 0,7% em relação a dezembro, para 425,68 milhões de toneladas. Para as exportações globais, a projeção cresceu 0,1%, para 187,57 milhões de toneladas. Sobre os estoques globais, a estimativa teve acréscimo de 1,7%, com previsão de 124,41 milhões de toneladas.
Com os trabalhos de colheita de soja concluídos há mais de um mês, o USDA ajustou para cima sua previsão de safra nos Estados Unidos, com 0,2% a mais que em dezembro, e uma produção esperada de 115,99 milhões de toneladas.
Sobre a demanda por soja americana, que neste momento está enfraquecida, diante das compras chinesas abaixo do esperado, o USDA reduziu em 3,7% a previsão para exportações, agora previstas em 42,86 milhões de toneladas.
Diante do balanço mais folgado entre oferta e demanda, a estimativa para os estoques finais dos EUA cresceu expressivamente em janeiro, 20,7%, com volume de 9,52 milhões de toneladas.
Devido a sua importância para a formação dos preços na bolsa de Chicago, as projeções do USDA para a safra nos EUA pressionaram os preços no pregão, onde os futuros registravam baixa de 1,32% às 14h17.
No caso do Brasil, maior exportador mundial de soja, o USDA aumentou em 1,7% a estimativa de safra no país, para 178 milhões de toneladas. No caso das exportações, a projeção teve incremento de 1,3%, com 114 milhões de toneladas.
Para a Argentina, a previsão de safra se manteve inalterada, em 48,5 milhões de toneladas. Também não houve mudança sobre as perspectivas para a importação da China, que permaneceu em 112 milhões de toneladas.
Trigo
O USDA elevou a previsão de safra mundial de trigo no ciclo 2025/26. A principal mudança nas previsões vem dos países classificados como maiores exportadores globais, como Argentina, Rússia e Ucrânia. Para os Estados Unidos, o relatório mundial de oferta e demanda manteve a expectativa.
A projeção de produção global do cereal passou de 837,81 milhões para 842,17 milhões de toneladas. O USDA também revisou os números para importações globais, de 214,39 milhões para 215,54 milhões de toneladas; e de consumo global, de 822,97 milhões para 823,91 milhões;
O relatório referente a janeiro, divulgado nesta segunda-feira, eleva ainda a projeção de exportações mundiais, de 218,71 milhões para 219,76 milhões; e de estoques finais, de 274,87 milhões para 278,25 milhões de toneladas.
“As projeções dos estoques finais globais foram elevadas em 3,4 milhões de toneladas, para 278,3 milhões, principalmente devido aos aumentos na Rússia e na Argentina”, informa o relatório.
Para a safra de trigo dos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão de colheita em 54,01 milhões de toneladas. Manteve também o número para as exportações do país em 24,49 milhões de toneladas.
No entanto, o Departamento de Agricultura revisou para baixo a projeção de consumo interno de trigo pelos americanos, de 31,41 milhões para 30,84 milhões de toneladas. E com um ajuste de 23,15 milhões para 23,26 milhões nos estoques iniciais da temporada, o USDA reajustou também a previsão de estoques finais, de 24,51 milhões para 25,21 milhões de toneladas.
“A previsão para o trigo dos Estados Unidos neste mês mostra uma leve elevação da oferta, redução no consumo interno, exportações inalteradas e estoques finais mais elevados. O preço médio da safra para os produtores foi reduzido em US$ 0,10, para US$ 4,90 por bushel”, informa o relatório.
No grupo dos maiores exportadores, o relatório do USDA indica uma produção total de trigo de 360,96 milhões de toneladas. A previsão anterior, de dezembro de 2025, era de 355,96 milhões.
O Departamento aumentou a previsão de safra da Argentina, de 24 milhões para 27,5 milhões de toneladas do cereal. Revisou também o número para o consumo interno, de 7,9 milhões para 8,1 milhões de toneladas; o de exportações, de 14 milhões para 16,5 milhões de toneladas; e o de estoques finais, de 4,52 milhões para 6,01 milhões de toneladas.
“Com mais de 90% da colheita de trigo na Argentina concluída, a previsão de produção foi elevada em 3,5 milhões de toneladas, para um recorde de 27,5 milhões, quase 50% maior que o ano anterior”, diz o relatório.
A Rússia deve produzir 89,5 milhões de toneladas de trigo na temporada 2025/26, 2 milhões a mais do que no relatório anterior do USDA. O órgão do governo americano elevou de 41,2 milhões para 41,7 milhões de toneladas a previsão de consumo interno do país e manteve em 44 milhões de toneladas a previsão de exportações.
Os russos devem encerrar a temporada com 14,69 milhões de toneladas de trigo em estoques. A previsão de janeiro era de 13,19 milhões de toneladas.
Para a Ucrânia, o USDA manteve a previsão de safra em 23 milhões de toneladas. O número para o consumo interno passou de 7,6 milhões para 8,1 milhões de toneladas.
O Departamento reduziu a previsão de exportação de trigo ucraniano, de 14,5 milhões para 14 milhões de toneladas, e manteve o número de estoques finais em 1,93 milhão.
Entre os países que o USDA lista como maiores importadores no relatório, os números mostram uma elevação do projetado para a safra brasileira, de 7,7 milhões para 8 milhões de toneladas. O relatório mantém em 7,3 milhões o volume que o Brasil deve importar e em 12,35 milhões o que o país deve consumir.
Na visão do governo americano, o Brasil deve terminar a safra 2025/26 com estoques de 3,14 milhões de toneladas do cereal. A projeção anterior era de 2,84 milhões.
Milho
O relatório do USDA apresentou incremento também nos dados de produção e estoques globais de milho, devido principalmente à revisão para cima nos dados da safra 2025/26 da nos Estados Unidos.
A produção mundial na safra 2025/26 está estimada agora em 1,296 bilhão de toneladas de milho, com incremento de 13,05 milhões de toneladas em relação à estimativa divulgada em dezembro de 2025, aumento de 1,01%. Em relação à safra 2024/25, o aumento esperado é de 5,3%.
A estimativa de consumo global de milho foi elevada em 2,88 milhões de toneladas em relação à estimativa de dezembro, para 813,24 milhões de toneladas, incremento de 0,4%.

A estimativa de exportação global manteve-se praticamente estável em 205,11 milhões de toneladas. Como resultado, a previsão de estoques finais de milho está agora em 290,91 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 11,76 milhões de toneladas em relação à projeção divulgada em dezembro, aumento de 4,2%.
O desempenho global é influenciado principalmente pela revisão para cima dos dados da safra americana. O USDA estima agora a safra americana em 432,34 milhões de toneladas, volume 1,6% acima da estimativa divulgada no mês passado.
As estimativas de embarque de milho dos Estados Unidos ficaram mantidas em 81,28 milhões de toneladas. O USDA elevou, no entanto, a previsão de consumo doméstico de milho em 6,6% em relação à projeção divulgada em dezembro de 2025, para 345,1 milhões de toneladas. Com isso, os estoques de milho nos Estados Unidos devem chegar ao fim da safra em 56,56 milhões de toneladas, volume 9,8% acima do que estava previsto na estimativa anterior.
O USDA manteve inalteradas as projeções para a safra de milho 2025/26 do Brasil e da Argentina em relação aos números divulgados no mês passado.
Para o Brasil, o USDA mantém estimativa de produção de 131 milhões de toneladas de milho, queda de 3,7% em relação à safra 2024/25.
O volume de exportações previsto foi mantido em 43 milhões de toneladas, 4,9% acima do volume exportado na safra passada.
Para a Argentina, o USDA mantém a previsão de produção de 53 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, 6% maior que o volume da safra passada. As exportações da Argentina estão estimadas em 37 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 25,4% em relação à temporada anterior.
Por: Globo Rural
