
O vinte e cinco terminou e o vinte e seis começou, a festa acabou, o povo todo voltou a trabalhar, o mundo voltou ao normal, mas pra ninguém dizer que tá tudo igual, o preço do leite e dos seus derivados no mercado internacional mudou de direção e pegou de novo o rumo de subida no estradão. Foi isso o que ficou demonstrado na terça-feira passada, dia 6 de janeiro, no primeiro leilão do ano na plataforma GDT, a Global Dairy Trade, promovido pela cooperativa fonterra, da Nova Zelândia, país que é o maior exportador de laticínios do mundo. O caso foi que o valor médio dos produtos apresentados pra venda agora ficou em US$ 3.533 por tonelada, com uma alta de 6,3% na comparação com o derradeiro pregão do ano passado, que tinha sido realizado no dia 16 do mês de dezembro recém terminado.
Desta vez a parte principal da explicação pra esta evolução da cotação foi o comportamento da oferta, que voltou a seguir roteiro costumeiro pra esta época do ano e apresentou uma forte queda de 13,8% neste espaço de duas semanas, ficando em 29,3 mil toneladas. Repare a companheira fazendeira brasileira que todos os derivados negociados neste evento subiram, sendo que o leite em pó integral, que vem a ser o derivado comercializado em maior quantidade na GDT, fechou o dia a US$ 3.407, o que representou um substancioso aumento de 7,2% em relação ao leilão anterior. Já o leite em pó desnatado ficou 5,4% mais caro, tendo sido vendido a US$ 2.564 por tonelada.
Além da forte disputa pelos derivados ofertados no pregão, o que também tá merecendo atenção é que os contratos de leite em pó no mercado futuro também apresentaram um expressivo aumento, o que é um forte indicativo de queda na produção e de crescimento da demanda nos próximos meses. Matutando agora a respeito dos efeitos que esta mudança no rumo do vento pode provocar aqui setor leiteiro brasileiro, o pessoal do Portal Milkpoint faz a recordação de que, sem muita demora, a alta dos preços lá fora acaba chegando aqui na Argentina e no Uruguai, que são os fornecedores de praticamente tudo o que a gente importa neste mercado. O provável resultado disso será um encarecimento dos produtos estrangeiros pra indústria laticinista e pros distribuidores atacadistas brasileiros, o que deve ajudar a diminuir o tamanho da enchente de leite e derivados importados aqui no nosso próprio terreiro. Tomara mesmo, né.
Por: Terra Viva – Sidnei Maschio
