
O mercado físico do boi gordo iniciou 2026 com firmeza nas cotações, apesar do período de menor consumo interno típico do início do ano. Levantamentos do Cepea indicam que a média nacional do boi gordo esteve em R$ 319/@ na parcial de janeiro, enquanto a carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo registrou valores próximos de R$ 23/kg, à vista.
Segundo pesquisadores, o suporte vem de oferta enxuta e escalas curtas, reflexo de um cenário em que produtores aproveitam pastagens volumosas para reter animais e barganhar melhores preços. A escala média nacional de abate medida pelo Cepea ficou em 7,8 dias, a menor para o mês desde 2021.
Frigoríficos cautelosos e mercado travado
Na terceira semana de janeiro, a Agrifatto observou retração nas vendas de carne bovina no varejo e menor ritmo nas exportações, o que levou as indústrias a adotar postura mais seletiva nas compras, evitando fechamentos rápidos. Ainda assim, as escalas permanecem curtas — em média, oito dias no país.
A consultoria descreve o ambiente como de baixa liquidez, com pouca oferta, poucos negócios e estabilidade predominante entre as praças monitoradas. Entre 17 regiões acompanhadas, apenas o Rio Grande do Sul registrou valorização; Bahia, Paraná e Rondônia recuaram, e o restante ficou estável.
Na praça paulista, a Scot Consultoria aponta sequência longa de estabilidade: 9 dias para o boi gordo comum, 13 dias para o “boi China”, 44 dias para a vaca gorda e 20 dias para a novilha terminada. A arroba paulista segue em R$ 318 (boi comum), R$ 322 (boi-China), R$ 302 (vaca) e R$ 312 (novilha), valores a prazo.
Situação em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o comportamento acompanha o restante do país, com escalas curtas, oferta reduzida e negociações moderadas. Segundo dados recentes da Scot Consultoria e Agrifatto, a arroba do boi gordo em Campo Grande e Dourados tem operado entre R$ 305 e R$ 315/@, a depender do padrão e da praça, com o “boi-China” chegando próximo de R$ 320/@ no Estado.
Consultorias atribuem a resistência dos preços no MS ao bom volume de pastagens, que favorece retenção no pasto, e à demanda externa ainda relevante — fator que impede quedas mais intensas mesmo com o varejo mais lento em janeiro.
Perspectiva
Com escalas curtas, retenção no campo e frigoríficos cautelosos, analistas avaliam que o mercado tende a manter viés de estabilidade a leve alta no curto prazo. A sustentação dependerá do desempenho das exportações nas próximas semanas e da reposição no atacado.
Por: Henrique Theotônio
