Da pecuária ao amendoim: Mato Grosso do Sul amplia fronteiras produtivas e consolida nova fase do agro

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Mato Grosso do Sul construiu sua identidade econômica a partir do campo. Desde a formação do Estado, a produção de carne bovina e de grãos como soja e milho foi a base do desenvolvimento regional, transformando o território em uma das principais fronteiras agropecuárias do país. Ao longo das últimas décadas, o avanço tecnológico, a profissionalização dos produtores e os investimentos em logística permitiram ganhos expressivos de produtividade, consolidando o Estado como referência nacional no agronegócio.

Esse crescimento, no entanto, não ficou restrito às cadeias tradicionais. Com planejamento, políticas públicas e ambiente favorável aos investimentos, o potencial produtivo sul-mato-grossense passou a se diversificar. O Estado avançou fortemente na indústria de celulose, tornou-se destino de novos projetos de citricultura, ampliou a presença no setor sucroenergético e vem se posicionando como polo estratégico para biocombustíveis e energias renováveis. Dentro desse movimento de diversificação, uma cultura ganha espaço de forma acelerada: o amendoim.

Nos últimos anos, o amendoim deixou de ser uma atividade pontual para se tornar uma alternativa concreta de renda e rotação de culturas em diferentes regiões do Estado. Dados apresentados durante encontro técnico realizado em Glória de Dourados mostram a velocidade desse avanço. Entre as safras 2021/22 e 2024/25, a área plantada saltou de 7 mil para 43,5 mil hectares, um crescimento superior a seis vezes em apenas três safras. No mesmo período, a produção acompanhou esse ritmo, passando de 22,3 mil toneladas para 173,7 mil toneladas.

Com os resultados da safra 2024/25, Mato Grosso do Sul já responde por cerca de 16% da área e da produção nacional de amendoim, ocupando a segunda posição no ranking brasileiro, atrás apenas de São Paulo. Para a safra atual, a expectativa é de novo avanço, com área estimada em 46 mil hectares e produção superior a 183 mil toneladas.

Durante o evento, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, detalhou a distribuição da cultura no território estadual. Os principais municípios produtores são Santa Rita do Pardo, com 9.520 hectares, Cassilândia (6.500 ha), Nova Andradina (4.080 ha), Nova Alvorada do Sul (3.000 ha), Inocência (2.500 ha), Água Clara (2.170 ha), Chapadão do Sul (2.000 ha) e Glória de Dourados (1.700 ha).

Beretta também destacou o papel do Estado no suporte ao crescimento da cadeia produtiva, citando programas como o MS Irriga e o Prosolo. Segundo ele, o governo atua oferecendo assistência técnica, políticas públicas e planejamento para garantir segurança e rentabilidade aos produtores. “O Governo garante apoio à cadeia produtiva por meio de assistência técnica, programas de governo, políticas públicas e planejamento, criando condições para que os produtores expandam a atividade com segurança e rentabilidade”, afirmou. “Temos equipes técnicas para apoiar desde a reforma de pastagens e canaviais até a consolidação da cultura do amendoim como uma atividade lucrativa.”

A importância estratégica do setor também foi ressaltada pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, que participou da abertura do encontro ao lado de autoridades estaduais e municipais, produtores e representantes do setor. Para ele, eventos técnicos são fundamentais para acelerar a adoção de tecnologia e fortalecer o encadeamento produtivo. “Este é o momento oportuno para implementar estímulos, e o evento proporciona exatamente isso: tecnologia, oportunidades de crédito e conhecimento”, afirmou. “Mato Grosso do Sul já se orgulha de ser o segundo maior produtor do país, mas precisamos acelerar o ritmo para consolidar ainda mais essa posição.”

Verruck destacou ainda que o setor passa por um processo de reestruturação, com o Estado começando a atrair empresas interessadas no beneficiamento do amendoim. “É fundamental fortalecer parcerias com a indústria, fabricantes de máquinas, beneficiadores, produtores rurais e o mercado externo. Esse alinhamento é estratégico para o avanço da cadeia produtiva. Queremos promover cada vez mais o encadeamento produtivo de todo o setor”, concluiu.

O avanço do amendoim reforça uma característica que marca a trajetória recente de Mato Grosso do Sul: a capacidade de unir tradição e inovação no campo. Sem abandonar suas raízes na pecuária e na produção de grãos, o Estado amplia seu leque produtivo, gera novas oportunidades e fortalece sua posição como um dos territórios mais dinâmicos do agronegócio brasileiro.

Por: Amanda Coelho