
Reportagem publicada pelo portal AgroLatam nesta quinta-feira (19/2) destacou que a Argentina atingiu o maior preço do boi gordo do Mercosul, chegando a US$ 5,92/kg de carcaça (US$ 88,80/@), 26% acima da média ponderada entre Brasil, Uruguai e Paraguai.
No comparativo regional, o Brasil aparece com o menor valor: US$ 4,38/kg de carcaça (US$ 65,70/@). O Uruguai registra US$ 5,55/kg e o Paraguai US$ 4,73/kg.
Os números revelam uma realidade que merece reflexão: o país com o maior rebanho comercial do mundo, maior escala produtiva, maior exportador global e reconhecido padrão sanitário pratica o menor preço do bloco.
Defasagem que preocupa o produtor
A diferença entre Brasil e Argentina chega a aproximadamente US$ 1,54 por quilo de carcaça — uma distância expressiva quando se considera volume e rentabilidade.
O Brasil possui cerca de 230 milhões de cabeças de gado, lidera as exportações mundiais de carne bovina e abastece mais de 150 países. Além disso, consolidou reconhecimento internacional em sanidade, rastreabilidade crescente e eficiência produtiva, com sistema majoritariamente a pasto, considerado sustentável e competitivo.
Ainda assim, o produtor brasileiro recebe menos pela sua arroba do que os vizinhos do Mercosul.

A equação expõe uma defasagem de preço para um produto que, em escala, qualidade e volume, é superior no cenário internacional.
Mato Grosso do Sul: qualidade reconhecida, mas preço pressionado
Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários do Brasil, o cenário segue a mesma lógica. O Estado possui aproximadamente 19 milhões de cabeças e figura entre os maiores exportadores nacionais de carne bovina.
A carne sul-mato-grossense abastece principalmente o mercado asiático, com destaque para a China, além de países do Oriente Médio e América do Norte. O Estado também avança em protocolos de carne premium, integração lavoura-pecuária e melhoramento genético.
Mesmo com alto padrão de qualidade, frigoríficos habilitados para mercados exigentes e forte participação nas exportações, o preço pago ao produtor segue atrelado ao mercado nacional, pressionado pela oferta elevada e pelo câmbio.
Preço mais baixo não significa menor qualidade
Enquanto a Argentina comemora preços recordes, o Brasil sustenta sua liderança mundial entregando volume, regularidade e qualidade reconhecida internacionalmente.
O diferencial argentino está no valor nominal. O diferencial brasileiro está na capacidade de abastecer o mundo.
A questão que fica para o produtor é clara: por que o maior fornecedor global, com padrão sanitário robusto e carne valorizada no exterior, segue recebendo menos dentro do próprio bloco?
O comparativo do Mercosul expõe não apenas números, mas uma distorção de mercado que impacta diretamente a rentabilidade da pecuária brasileira — especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, onde a atividade é pilar da economia.
Por: Amanda Coelho
