Embrapa e Geneplus investem em produção de embriões de alto valor genético

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A Embrapa Gado de Corte e a Geneplus Consultoria Agropecuária Ltda, por meio de um acordo de cooperação técnica, ampliaram a produção e a disseminação de genética bovina superior da raça Nelore, por meio da produção de embriões in vitro.

A iniciativa prevê a produção de embriões, a partir de fêmeas do rebanho BRGCd e seleção da Embrapa (Campo Grande, MS), selecionadas com base no Índice de Qualificação Genética (IQG), priorizando matrizes classificadas entre os 3% superiores da última avaliação do Programa Embrapa Geneplus. Em uma avaliação, realizada em janeiro de 2024, 95 fêmeas do rebanho atenderam a esse critério.

Sede da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande/MS

Por meio da técnica de aspiração folicular in vivo (OPU), foi feita a coleta de ovócitos, que foram encaminhados a laboratórios de fertilização in vitro (FIV), onde foram produzidos os embriões utilizando sêmen de touros superiores também participantes do programa, e repassados a fazendas parceiras.

“A expectativa é de uma média de seis embriões Grau Um por sessão de aspiração, com estimativa total de produção de cerca de 500 embriões ao longo do ano”, conta Eriklis Nogueira, pesquisador em reprodução animal e responsável pelo rebanho Nelore BRGC da Embrapa, e que trabalha em conjunto com o geneticista Roberto Torres Jr. Os embriões poderão ser utilizados tanto a fresco quanto congelados.

Parceira nos estudos em reprodução da estatal, a Universidade Estadual de MS (UEMS) também é na produção de embriões in vitro, a partir das doadoras da Embrapa.

Para a professora Fabiana Melo Sterza, é uma forma de acelerar o melhoramento genético e uma oportunidade única para acadêmicos da instituição acompanharem, na prática, o resultado da implementação da transferência de embriões associada a IATF na estação de monta.

A UEMS possui rebanhos de bovinos de corte Nelore e cruzamentos, além de um núcleo de conservação de bovinos pantaneiros, a fim de atender as demandas de ensino, pesquisa, extensão e inovação dos cursos de graduação e pós-graduação em Zootecnia.

Já para a Fazenda Genética Aditiva, participante do Programa Geneplus, levar esse melhoramento adiante, por meio dos embriões, representa uma abertura de pedigree. “São animais de pedigree bem aberto para nós que atuamos com seleção, e com avaliações equilibradas, que chegam para somar ao nosso rebanho”, destaca Flávio Sandim, gerente de pecuária da propriedade.

A transferência dos embriões aconteceu ainda no próprio rebanho da Embrapa, utilizando vacas e novilhas como receptoras, previamente sincronizadas por protocolos reprodutivos padronizados, o que representa, aproximadamente, 35% das prenhezes da estação de monta do rebanho BRGC produzidas pela técnica de FIV.

Além do impacto direto na melhoria genética do rebanho da Embrapa Gado de Corte, outras Unidades, como Embrapa Pantanal (Corumbá, MS) e Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), vão passar a pertencer ao Núcleo Integrado de melhoramento genético.

Os resultados serão mensurados por meio da tendência genética das gerações (IQG) e publicados, reforçando o compromisso com a transparência científica e a difusão do conhecimento.

Por: Embrapa Gado de Corte/Geneplus