
Enquanto a colheita de soja avança de forma irregular em diferentes regiões produtoras do país, impactada por períodos de chuva em parte do Centro-Oeste e do Matopiba, a indústria sementeira entra em fevereiro no pico de recebimento e beneficiamento do grão destinado ao plantio da próxima temporada. O período é estratégico para garantir vigor, pureza genética e uniformidade das sementes que serão cultivadas a partir de setembro em todo o Brasil.
Antes mesmo da colheita, equipes técnicas realizam a coleta de amostras nos campos de produção para análises laboratoriais, permitindo ajustes específicos por cultivar. Quando a carga chega às unidades de beneficiamento, já existe um histórico detalhado do talhão, com informações sobre desempenho agronômico, uniformidade e condições climáticas enfrentadas. Esse conjunto de dados orienta a regulagem dos equipamentos e amplia o controle de qualidade ao longo do processo.
O fluxo industrial começa com a pré-limpeza, que retira impurezas e grãos fora de padrão. Em seguida, as sementes são armazenadas em silos com sistema de aeração até passarem por secagem controlada, reduzindo a umidade para níveis entre 12% e 12,5%. Depois, inicia-se o beneficiamento propriamente dito, com nova limpeza, classificação por peneiras, passagem por espiral rotativo para eliminação de sementes deformadas e separação por densidade em mesa densimétrica — uma das etapas mais técnicas e determinantes para a qualidade final.
Em média, cerca de 70% a 80% do volume recebido é aproveitado como semente, enquanto o restante segue como grão comercial. Antes do ensaque, o material passa por resfriamento até aproximadamente 18°C. No armazenamento final, em big bags, permanece em ambiente climatizado a cerca de 14°C e 55% de umidade relativa, condições que preservam o potencial fisiológico até a entrega ao produtor.
A operação nas principais unidades do país funciona 24 horas por dia durante o pico da safra, mobilizando equipes técnicas e mão de obra temporária para dar conta da demanda concentrada entre janeiro e março.
Na safra 2026/27, empresas do setor trabalham com dezenas de cultivares de diferentes ciclos, adaptadas às distintas realidades produtivas brasileiras. Estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul concentram importantes polos de produção de sementes, com milhares de hectares destinados exclusivamente à multiplicação. Em Mato Grosso do Sul, o crescimento da área de soja nas últimas safras tem ampliado também a demanda por sementes de alto padrão, reforçando a importância do controle de vigor e germinação, geralmente com parâmetros mínimos próximos a 90%, considerados essenciais para assegurar desempenho no campo e estabilidade de produtividade.
Diante de um cenário climático cada vez mais desafiador, a qualidade da semente consolida-se como um dos principais pilares para reduzir riscos e garantir eficiência nas lavouras brasileiras.
Por: Amanda Coelho
Com informações: Agro-Sol Sementes
