Relatório Focus do Banco Central mantém projeção de crescimento do PIB em 1,82% para 2026; mercado eleva estimativa da Selic e inflação segue acima do centro da meta
A economia brasileira deve crescer de forma moderada nos próximos anos, em meio a um cenário de juros ainda elevados e inflação acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. É o que apontam os dados mais recentes do Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (9), que reúne projeções de instituições financeiras e analistas de mercado.
De acordo com o levantamento, a mediana das estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permaneceu em 1,82%, praticamente estável em relação ao mês anterior, quando estava em 1,80%. Quando consideradas apenas as projeções mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa de expansão econômica subiu levemente para 1,87%.
O Banco Central também revisou sua própria previsão para a economia brasileira em 2026. No Relatório de Política Monetária, a instituição elevou a projeção de crescimento de 2,0% para 2,3%, revisão influenciada principalmente por mudanças nas séries históricas das Contas Nacionais e pelo desempenho da agropecuária no primeiro semestre do ano passado.
Segundo o BC, a atualização das estatísticas impactou especialmente o desempenho do setor agropecuário, além de um resultado do terceiro trimestre que veio ligeiramente acima das expectativas do mercado.
Crescimento lento nos próximos anos
Apesar da revisão positiva pontual, o mercado financeiro mantém expectativas de crescimento modesto para o país no médio prazo.
A projeção para 2027 segue em 1,80%, patamar que se mantém há dez semanas consecutivas. Já para os anos seguintes, as estimativas indicam uma leve aceleração, com crescimento de 2,0% tanto em 2028 quanto em 2029, níveis que permanecem estáveis há mais de um ano nas projeções do mercado.
Para analistas, esse cenário reflete um ambiente de baixo dinamismo econômico, pressionado por juros elevados, incertezas fiscais e desafios estruturais na economia brasileira.
Juros seguem elevados
Um dos principais fatores que limitam o ritmo de expansão econômica é o nível da taxa básica de juros. Segundo o Focus, a expectativa do mercado para a Selic ao final de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%.
Para os anos seguintes, as projeções indicam uma redução gradual, mas ainda com juros considerados altos em termos históricos:
2027: 10,50%
2028: 10,00%
2029: 9,50%
Atualmente, a taxa básica está em 15% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro, que optou por manter os juros nesse nível pela quinta reunião consecutiva.
Na ata da reunião, o Banco Central indicou que pode iniciar um ciclo de redução da taxa já na próxima reunião, prevista para março, caso o cenário esperado se confirme.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom.
Inflação ainda acima da meta
Mesmo com a política monetária restritiva, a inflação ainda segue acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
A projeção do mercado para o IPCA em 2026 permaneceu em 3,91%, valor 0,91 ponto percentual acima do centro da meta, que é de 3%.
Para os anos seguintes, as estimativas indicam uma leve desaceleração:
2027: 3,80%
2028: 3,50%
2029: 3,50%
O IPCA de 2025 encerrou em 4,26%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última previsão do mercado, que estimava alta de 4,31%, e também inferior à projeção do próprio Banco Central, de 4,4%.
Segundo a trajetória projetada pela autoridade monetária, a inflação deve encerrar 2026 em 3,4% e atingir 3,2% no terceiro trimestre de 2027, considerado o horizonte relevante da política monetária.
Desde 2025, o Brasil passou a operar com meta contínua de inflação, baseada no IPCA acumulado em 12 meses. O objetivo central permanece em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o índice fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central não atingiu a meta.
Cenário de cautela
Com crescimento moderado, juros elevados e inflação ainda pressionada, o cenário econômico brasileiro para os próximos anos aponta para um ambiente de cautela para investimentos e consumo.
A expectativa do mercado é de que a trajetória da inflação e o equilíbrio das contas públicas sejam fatores determinantes para permitir uma redução mais consistente dos juros e, consequentemente, estimular uma expansão econômica mais robusta.