
O custo da cesta básica continua elevado nas capitais brasileiras e segue pressionando o orçamento das famílias. Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, em 14 das 27 capitais, o valor do conjunto de alimentos essenciais subiu em fevereiro na comparação com janeiro.
As maiores altas foram registradas em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%), Vitória (1,79%), Rio de Janeiro (1,15%) e Teresina (1,07%).
Mesmo onde houve recuo nos preços, o custo da cesta básica continua elevado. São Paulo lidera o ranking nacional, com valor médio de R$ 852,87, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53), Cuiabá (R$ 793,77) e Porto Alegre (R$ 786,84).
Nas regiões Norte e Nordeste, onde a cesta possui 12 itens — um a menos que no Centro-Sul — os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69) e Maceió (R$ 603,92).
Quedas pontuais não aliviam custo geral
Alguns itens apresentaram recuo de preços no período analisado, como o óleo de soja, que ficou mais barato em 26 capitais. A redução está relacionada ao aumento da oferta do grão e à desvalorização do dólar frente ao real, fatores que diminuíram a competitividade da soja brasileira no mercado externo e pressionaram o preço do produto no varejo.
O açúcar também registrou queda em 20 capitais, enquanto o café em pó ficou mais barato em 21 cidades, movimento influenciado pela expectativa de uma safra maior e pela redução no ritmo das exportações.
O arroz agulhinha apresentou redução em 16 capitais, com destaque para Curitiba (-7,40%), Salvador (-7,09%) e Vitória (-5,11%).
Apesar das quedas em alguns produtos, especialistas apontam que o custo total da alimentação ainda permanece elevado, já que itens básicos continuam com preços historicamente altos em diversas regiões do país.
Inflação dá sinais de aceleração
O cenário também é refletido nos indicadores de inflação. Dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) voltou a subir na primeira quadrissemana de março, com alta de 0,04%, após registrar queda de 0,14% na divulgação anterior.
O indicador acelerou em seis das sete capitais pesquisadas. A maior mudança ocorreu em Brasília, onde o índice passou de -0,97% para -0,31%. Também houve aceleração em Porto Alegre, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
Para analistas, o comportamento recente dos preços mostra que, mesmo com oscilações pontuais, a inflação dos alimentos ainda é um dos principais fatores de pressão no custo de vida da população brasileira, mantendo a cesta básica em patamares elevados nas principais capitais do país.
Por: Amanda Coelho
