
Ribas do Rio Pardo deixou de ser apenas uma promessa para se consolidar, de fato, como um dos principais motores do desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. No coração do chamado “Vale da Celulose”, o município vive um novo ciclo de crescimento que combina escala industrial, inovação no campo e, agora, um movimento claro de diversificação produtiva — ponto central debatido na abertura da ExpoRibas 2026, nesta terça-feira (18).
A força dessa transformação não é pequena. Com mais de 460 mil hectares de florestas plantadas, Ribas simboliza um modelo que colocou o Estado entre os protagonistas da silvicultura nacional. Mato Grosso do Sul saltou de 341 mil hectares de florestas em 2010 para cerca de 1,9 milhão na safra 2024/2025 — uma expansão de 565%, concentrando aproximadamente 80% do crescimento registrado no país apenas em 2024. Hoje, é o segundo maior produtor de eucalipto do Brasil.
Esse avanço, no entanto, não ocorre isoladamente. Ele está ancorado em uma política de Estado que, há mais de uma década, aposta em segurança jurídica, desburocratização e atração de investimentos — pilares reforçados pelo programa Profloresta e por ferramentas como o MS Agrodata, que moderniza o monitoramento da produção.
Durante a palestra magna de abertura da feira, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, deixou claro que o Estado já colhe os frutos de uma transformação estrutural no uso da terra.

“Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul passou por uma mudança produtiva significativa, com a conversão de áreas de pastagens de baixa produtividade em lavouras, florestas plantadas e cana-de-açúcar”, afirmou.
O modelo, segundo ele, alia crescimento econômico à preservação ambiental — hoje, cerca de 38% do território sul-mato-grossense permanece com vegetação nativa. Ao mesmo tempo, o setor florestal impulsiona a economia com números robustos: são mais de 20 mil empregos diretos, 12 mil indiretos e participação de 17,8% no PIB industrial do Estado, além da geração de 780 megawatts de energia limpa.
Ribas do Rio Pardo é peça-chave nesse tabuleiro. O município abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, consolidando-se como eixo estratégico de um corredor produtivo que inclui Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Inocência. Um ativo que não apenas gera riqueza, mas também reposiciona Mato Grosso do Sul no cenário global da bioeconomia.
Mas o ponto de inflexão agora vai além da celulose.
A ExpoRibas 2026 escancara um novo momento: o da diversificação econômica. Sem abrir mão do protagonismo florestal, o município começa a avançar sobre novas fronteiras produtivas, como a citricultura e o cultivo de amendoim, ampliando oportunidades e reduzindo riscos de concentração econômica.
Esse movimento não é por acaso. Ele faz parte de uma estratégia clara do Governo do Estado de estimular cadeias complementares, agregar valor e garantir resiliência ao agro regional. A adoção de sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), reforça esse caminho, combinando produtividade com sustentabilidade.
“O Mato Grosso do Sul construiu um ambiente extremamente favorável ao desenvolvimento, com políticas consistentes e compromisso com a sustentabilidade. Ribas do Rio Pardo é hoje símbolo desse novo ciclo de crescimento”, destacou Verruck.

A ExpoRibas, que celebra os 82 anos do município, surge justamente como vitrine desse novo cenário. Mais do que uma feira comemorativa, o evento se posiciona como espaço estratégico de discussão, onde produtores, lideranças e poder público alinham caminhos para o futuro do agro.
A programação técnica reúne especialistas e gestores para debater desde inovação até gargalos históricos, como logística, qualificação de mão de obra e gestão hídrica — desafios que seguem no radar, mas que não freiam o ritmo de expansão.
A presença ativa do Governo do Estado na feira, com estande institucional e participação de órgãos como Iagro, Imasul e Agraer, reforça esse alinhamento entre setor público e produtivo. É uma sinalização clara de que o crescimento de Ribas não é episódico, mas parte de um projeto estruturado de desenvolvimento.
No pano de fundo, está uma meta ambiciosa: tornar Mato Grosso do Sul carbono neutro até 2030, alinhando produção e sustentabilidade em um cenário global cada vez mais exigente.
Ribas do Rio Pardo, portanto, não é apenas um polo de celulose. É hoje um laboratório vivo de um novo agro — mais tecnológico, diversificado e integrado. E a ExpoRibas 2026 deixa evidente que o município não apenas acompanha essa transformação, mas ajuda a liderá-la.
Por: Amanda Coelho
Com informações da Semadesc
