
Conforme já foi falado aqui e os companheiros e companheiras boiadeiros já tão sabelizados, neste ano presente a gente já registrou os melhores meses de janeiro, de fevereiro e de março da história do setor exportador da carne bovina brasileira, e o abril que tá em andamento tá seguindo no mesmo trieiro. É verdade verdadeira mesmo que o mercado internacional tá padecendo debaixo de uma forte carestia de mercadoria, mas de qualquer maneira tá mais claro do que água de mina que a parte principal da explicação pra esta situação atual é o caso que tá sendo passado lá na China. O problema é que, com as cotas limitantes decretadas pelo governo lá do gigante do oriente distante, tanto os nossos fregueses chineses quanto os fornecedores brasileiros tão correndo pra fechar negócio o quanto antes, pra não fica arriscado de pagar um imposto escorchante logo ali adiante.
Mas se por um lado esta fome compradora tá tendo a serventia de aumentar substanciosamente os volumes exportados, por outro o mercado pode ficar muito complicado do meado do ano presente pra frente. O caso é que a cota determinada pra gente é de 1 milhão e 100 mil toneladas, pro ano inteiro, mas repare o companheiro boiadeiro que, em 2025, o Brasil vendeu pra eles um total de 1 milhão e 700 mil toneladas, ou 600 toneladas a mais, né. Acontece que, pela toada atual dos embarques, a previsão dos analistas da Scot Consultoria e da maioria dos especialistas é de que até o final de junho o limite já terá sido atingido, e aí vai ficar todo mundo esperando pra ver o que é que eles vão fazer, porque nem o mais otimista dos pecuaristas chineses acredita que a produção local vai ser suficiente pra matar a fome de carne da população, né.
Por outro lado, no balanço mais recente da SECEX, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, o procedimento de dois dos nossos fregueses chamou a atenção do povo do mercado. De fevereiro pra março, o Uruguai, que tem vendido muito pra China, aumentou suas importações de carne brasileira em 40,9% já as compras de Hong Kong, que é uma província chinesa com um regime econômico especial, tiveram um crescimento de 19,3%, na mesma comparação, e a gente só precisa ser minimamente inteligente pra ver que, nos dois casos, por vias indiretas, o destino final deste produto vai ser a China. Assim mesmo, qualquer coisa que se fale agora é especulação, e tanto pode acontecer a liberação da importação quanto a manutenção da taxação pra quantidades exportadas acima da cota fixada.
Por: Canal Terra Viva
