
O leite é um dos alimentos mais completos da dieta humana. Rico em cálcio, proteínas e vitaminas essenciais, ele tem papel decisivo no desenvolvimento infantil, na saúde de idosos e na recuperação de pacientes. Em um país onde ainda há desafios relacionados à segurança alimentar, garantir acesso a um leite de qualidade não é apenas uma questão nutricional — é uma política pública estratégica.
É nesse contexto que Mato Grosso do Sul dá um passo relevante. O Núcleo Girolando de MS apresentou à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) o plano de implementação da Lei nº 7.603/2026, que institui o Programa Municipal de Suplementação Alimentar com Leite e Derivados Frescos em Campo Grande.
A iniciativa, já sancionada pela Prefeitura, tem como foco atender até 110 mil alunos da rede municipal, além de pacientes das UPAs, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade social. Mais do que ampliar a oferta de alimento, o programa estabelece um novo padrão de qualidade: a substituição do leite longa vida pelo leite pasteurizado.
Na prática, isso representa um ganho direto para a saúde da população. Diferentemente do leite UHT (longa vida), o leite pasteurizado passa por um processo térmico mais brando, preservando melhor nutrientes essenciais — um fator determinante especialmente para crianças em fase de crescimento. Mas os impactos da lei vão muito além da nutrição.

Fortalecimento da produção local
Um dos pilares do programa é a valorização do produtor regional. A proposta prevê a garantia de preço justo e um bônus de 8% para o leite produzido em Campo Grande, criando um estímulo direto à cadeia produtiva local.
A medida chega em um momento em que produtores enfrentam margens apertadas e custos elevados. Ao assegurar mercado e remuneração diferenciada, a lei tende a gerar previsibilidade, incentivar investimentos e manter o produtor no campo.
A atuação do Núcleo Girolando de MS tem sido central nesse processo. A associação, que representa uma das principais raças leiteiras do país — responsável por grande parte da produção nacional —, atua como articuladora entre o setor produtivo e o poder público, defendendo políticas que tragam sustentabilidade econômica para a atividade.
Além disso, ao priorizar o leite local, o programa reduz custos logísticos, fortalece a indústria regional e mantém a circulação de recursos dentro do município — um efeito multiplicador importante para a economia.

Inovação que chega à merenda
Outro ponto que chama atenção no projeto é a proposta de inovação alimentar: a inclusão de sachês de mel floral junto ao leite distribuído aos alunos.
A combinação agrega valor nutricional, fornecendo energia e propriedades prebióticas, além de estimular o consumo entre as crianças. A iniciativa também abre espaço para integrar diferentes cadeias produtivas, como a apicultura, ampliando ainda mais os benefícios econômicos do programa.
Um vetor de desenvolvimento
Embora já sancionada, a Lei nº 7.603/2026 ainda depende de regulamentação para definir critérios operacionais e entrar plenamente em funcionamento. Esse processo já está em andamento, com participação ativa de representantes da cadeia do leite, poder público e entidades do setor.
De autoria do vereador André Salineiro (PL), a legislação nasce com um propósito claro: unir saúde pública, segurança alimentar e desenvolvimento econômico.
E é exatamente nesse ponto que o protagonismo do Girolando se evidencia. Ao liderar a construção técnica da proposta e participar diretamente das discussões com o Executivo, a associação reforça seu papel não apenas como representante de produtores, mas como agente de transformação do setor.
Se bem executado, o programa tem potencial para se tornar referência nacional — mostrando que é possível alinhar políticas sociais com fortalecimento do agro, geração de renda e melhoria real na qualidade de vida da população.
No fim das contas, o impacto é direto e concreto: mais renda no campo, mais qualidade na mesa e mais dignidade para quem mais precisa.
Por: Henrique Theotônio
