
O mercado do boi gordo iniciou a semana com poucas mudanças nas principais praças pecuárias do país, em meio a um cenário de cautela por parte dos frigoríficos. As informações foram divulgadas originalmente pelo portal Globo Rural, com base em análises das consultorias Safras & Mercado e Scot Consultoria.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, das 33 regiões monitoradas no Brasil, 28 permaneceram estáveis nesta segunda-feira (11). As altas pontuais ocorreram no sul de Goiás, em Três Lagoas (MS), no sul da Bahia, em Marabá (PA) e no sul do Tocantins, indicando um movimento ainda regionalizado de valorização da arroba.
Nas praças paulistas de Araçatuba e Barretos, consideradas referências nacionais para o mercado pecuário, o boi gordo seguiu cotado em R$ 355 por arroba no prazo. Já as categorias fêmeas apresentaram recuo: a vaca caiu para R$ 322 por arroba e a novilha para R$ 335.
Segundo a Scot Consultoria, já existem negociações abaixo da referência paulista, embora ainda em volume insuficiente para provocar mudanças consolidadas nas cotações gerais do boi gordo.
O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, avalia que a tendência para o restante de maio ainda é de aumento gradual da oferta de animais terminados para abate, movimento considerado típico da sazonalidade do período.
Exportações seguem no radar do mercado
O setor também acompanha atentamente o comportamento das exportações brasileiras de carne bovina, fator considerado decisivo para o equilíbrio das cotações internas.
Conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos cinco primeiros dias úteis de maio, o Brasil exportou 85,883 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 17,176 mil toneladas embarcadas.
O preço médio pago pela tonelada segue em patamar elevado, em torno de US$ 6.349, mantendo a rentabilidade das exportações brasileiras.
Outro fator monitorado pelo mercado envolve os principais compradores internacionais. A China informou recentemente que já atingiu 50% da cota de importação de carne bovina brasileira sem sobretaxa. Paralelamente, os Estados Unidos sinalizaram possível flexibilização das tarifas de importação aplicadas à carne bovina de grandes fornecedores globais, cenário que pode ampliar ainda mais a presença do produto brasileiro no mercado norte-americano.
Mercado interno teve reação com Dia das Mães
No mercado doméstico, a última semana apresentou melhora nas vendas do varejo, impulsionada pelo pagamento dos salários e pelo consumo ligado ao Dia das Mães.
Ainda segundo a Scot Consultoria, apesar do aumento nos pedidos de reposição no atacado, o avanço da oferta de carne acabou pressionando os preços das carcaças bovinas, que registraram queda.
A expectativa do setor é que os reflexos das vendas do fim de semana ainda possam gerar novos pedidos de reposição nos próximos dias, trazendo maior sustentação aos preços da carne bovina no mercado interno.
Por: Amanda Coelho
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