União Europeia rejeita pedido do Brasil e amplia pressão sobre exportações de carne bovina

Compartilhe:

A União Europeia rejeitou o pedido do governo brasileiro para criar um período de transição na aplicação das novas regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. A informação foi divulgada pela CNN Brasil, com base em fontes ligadas às negociações entre os dois blocos.

Segundo a reportagem, a solicitação brasileira buscava principalmente um prazo adicional para que a cadeia da carne bovina pudesse se adequar às exigências europeias de rastreabilidade sanitária dos animais destinados à exportação. No entanto, a resposta da UE foi negativa, indicando que não haverá flexibilização ou mecanismo de adaptação gradual.

O principal desafio está justamente na pecuária bovina brasileira. Diferentemente de setores como avicultura, produção de ovos e mel, onde o controle da cadeia produtiva é mais concentrado, os bovinos frequentemente passam por diversas propriedades ao longo da vida, tornando mais complexa a comprovação completa do histórico sanitário exigido pelos europeus.

A proposta do Brasil previa que, inicialmente, os frigoríficos comprovassem a ausência de antimicrobianos proibidos apenas nos meses que antecedem o abate, enquanto um sistema mais amplo de rastreabilidade seria implantado gradualmente nos próximos anos. A alternativa, porém, não foi aceita pelo bloco europeu.

As novas exigências fazem parte da legislação da União Europeia aprovada em 2018 e regulamentada em 2023. As regras entram em vigor para os países exportadores em setembro deste ano e exigem controles rigorosos sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Recentemente, a União Europeia também retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal produzidos com substâncias não permitidas pelas normas do bloco.

Impacto para Mato Grosso do Sul

A decisão acende um sinal de alerta para estados exportadores de carne bovina, como Mato Grosso do Sul. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a carne bovina segue entre os principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense, com forte presença em mercados de alto valor agregado.

Embora a União Europeia represente uma parcela menor do volume embarcado quando comparada à China, o mercado europeu é considerado estratégico por remunerar melhor cortes premium e exigir elevados padrões sanitários e ambientais.

Nos bastidores do setor, a avaliação é que o avanço dos sistemas de rastreabilidade individual dos animais será fundamental para garantir o acesso contínuo aos mercados mais exigentes do mundo. Ao mesmo tempo, entidades ligadas à pecuária defendem que o Brasil já possui protocolos sanitários robustos e que a adaptação precisará ocorrer sem comprometer a competitividade dos produtores.

Conforme informou a CNN Brasil, os documentos solicitados pela União Europeia ainda estão sendo finalizados pela área técnica do governo federal e devem ser encaminhados ao bloco até o fim desta semana. O objetivo é tentar manter abertas as negociações e evitar impactos mais severos sobre as exportações brasileiras de proteína animal.

Da redação do Caderno Agro
Com infromações: CNN Agro