Preço do leite sobe pela quarta vez seguida e produção menor mantém mercado em alerta

Compartilhe:

O mercado brasileiro de leite segue em trajetória de recuperação para o produtor. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) mostram que o preço médio pago ao pecuarista em maio, referente ao leite entregue às indústrias em abril, alcançou R$ 2,65 por litro, registrando a quarta alta consecutiva.

O valor representa um avanço de 10,4% em relação ao pagamento realizado em março, embora ainda permaneça 7,1% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, considerando os valores corrigidos pela inflação.

Segundo o Cepea, a valorização do leite está diretamente ligada à redução da oferta da matéria-prima no campo. A produção vem sendo impactada por fatores sazonais e também pelos reflexos da crise de rentabilidade enfrentada pelos produtores ao longo do último ano.

Menor oferta sustenta valorização

Com a chegada do período seco em boa parte das regiões produtoras, a qualidade das pastagens diminui e reduz o desempenho dos rebanhos leiteiros. Ao mesmo tempo, muitos pecuaristas ainda sentem os efeitos dos baixos preços registrados em 2025, que levaram à redução de investimentos em alimentação, genética e manejo.

Esse cenário resultou em uma queda de 3,4% no volume de leite captado pela indústria entre março e abril, reforçando o movimento de escassez da matéria-prima.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a retração na oferta já chega a 14,6%, segundo os levantamentos do Cepea.

Tendência é de preços firmes

A expectativa dos analistas é de que o mercado continue operando com oferta restrita nos próximos meses, mantendo sustentação para os preços pagos ao produtor.

No entanto, a alta da matéria-prima já vem sendo repassada ao consumidor. Entre os principais derivados, o leite UHT (longa vida) registrou aumento de 20,1%, enquanto a muçarela acumulou valorização de 12,6%.

Consumidor pode limitar novas altas

Apesar do cenário favorável ao produtor, o setor começa a observar um desafio importante: a resistência do consumidor aos preços mais elevados nas gôndolas.

Com os derivados mais caros, varejistas e distribuidores relatam desaceleração nas vendas, especialmente de produtos lácteos de maior valor agregado. Esse comportamento pode reduzir o ritmo dos reajustes ao longo dos próximos meses, mesmo diante da menor oferta de leite.

Ainda assim, a combinação entre produção enxuta e custos de reposição elevados indica que o mercado deve permanecer sustentado durante a entressafra, período tradicionalmente marcado por menor disponibilidade de leite no Brasil.

Produção leiteira no Brasil

O Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros, segundo dados do IBGE e do Ministério da Agricultura. Na região Sul — principal bacia leiteira nacional — estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram grande parte da produção, enquanto Mato Grosso do Sul vem ampliando gradativamente sua participação por meio da profissionalização dos sistemas produtivos e investimentos em tecnologia.

O atual cenário de recuperação dos preços é visto pelo setor como uma oportunidade para recompor margens e estimular novos investimentos nas propriedades, após um período marcado por forte pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Por: Redação Caderno Agro