Brasil já utiliza 78% da cota de carne bovina para a China e setor monitora impacto das tarifas

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A forte demanda chinesa pela carne bovina brasileira continua impulsionando as exportações nacionais em 2026. No entanto, o ritmo acelerado dos embarques começa a acender um sinal de atenção no setor frigorífico. De acordo com levantamento da consultoria Agrifatto, o Brasil já utilizou aproximadamente 78% da cota anual de exportação destinada ao mercado chinês, estabelecida em 1,106 milhão de toneladas para este primeiro ano de vigência do mecanismo de salvaguarda adotado pelo gigante asiático.

Mantido o atual ritmo de vendas, a previsão é que o limite seja completamente preenchido ainda na primeira quinzena de julho, exigindo cautela por parte das indústrias exportadoras.

Segundo os analistas da Agrifatto, os frigoríficos brasileiros trabalham para evitar que cargas desembarquem na China após o esgotamento da cota autorizada. Isso porque os embarques dentro do limite estabelecido pagam uma tarifa de importação de 12%, enquanto os volumes excedentes ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%, o que compromete significativamente a rentabilidade das operações.

“O preenchimento total da cota brasileira deve ocorrer em meados de julho, considerando a média mensal de exportações observada entre janeiro e maio deste ano”, aponta o relatório da consultoria.

China continua sendo o principal destino da carne brasileira

Mesmo diante das novas regras comerciais, a China segue como o principal comprador da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático importou 1,64 milhão de toneladas da proteína produzida no Brasil, volume que representou 45,4% de toda a carne bovina exportada pelo país.

A participação brasileira no mercado chinês também alcançou níveis recordes. No ano passado, o Brasil respondeu por 52% de toda a carne bovina importada pela China. Em novembro, essa fatia atingiu o maior patamar da história, chegando a 61% das compras chinesas.

Os números demonstram a forte dependência do mercado chinês em relação à proteína brasileira, mas também evidenciam a importância estratégica da China para a cadeia produtiva nacional.

Mato Grosso do Sul ganha relevância nas exportações

Em Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do país, o mercado acompanha atentamente os desdobramentos da política comercial chinesa.

O Estado possui um rebanho superior a 18 milhões de cabeças e abriga importantes plantas frigoríficas habilitadas para exportação. A China permanece como um dos principais destinos da carne produzida em território sul-mato-grossense, contribuindo para a geração de empregos, arrecadação e fortalecimento da economia estadual.

Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a carne bovina segue entre os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul, reforçando a relevância da pecuária para a balança comercial do Estado.

O volume enviado ao país asiatico já soma1,106 milhão de toneladas – Foto: Divulgação

Concorrentes sul-americanos têm situação mais confortável

Enquanto o Brasil se aproxima rapidamente do limite autorizado, outros fornecedores da América do Sul receberam cotas superiores aos volumes exportados nos últimos anos.

A Argentina, por exemplo, embarcou 471,9 mil toneladas de carne bovina para a China em 2025 e recebeu uma cota de 511 mil toneladas para 2026. Já o Uruguai exportou 216,1 mil toneladas no ano passado, mas terá autorização para vender até 324 mil toneladas neste ano.

A Austrália, por outro lado, já esgotou integralmente sua cota de 205 mil toneladas, tornando-se o primeiro grande fornecedor a atingir o limite estabelecido pelas autoridades chinesas.

Setor aposta na diversificação de mercados

Apesar da preocupação com o preenchimento da cota chinesa, especialistas avaliam que o cenário não deve provocar impactos severos para a pecuária brasileira. Nos últimos anos, o país ampliou significativamente sua presença em mercados como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Chile e países do Sudeste Asiático, reduzindo a dependência de um único comprador.

Ainda assim, a China continuará sendo um fator determinante para a formação dos preços da arroba e para o desempenho das exportações brasileiras ao longo de 2026, especialmente em estados com forte vocação pecuária, como Mato Grosso do Sul.

Por: Redação Caderno Agro