Agro de Mato Grosso do Sul gera R$ 84 bilhões e consolida força econômica do campo

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul segue ampliando sua relevância na economia estadual. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Estado saltou de R$ 52,78 bilhões para R$ 84,27 bilhões na última década, um crescimento próximo de 60%, reforçando o protagonismo do campo na geração de riqueza, empregos e desenvolvimento regional.

O levantamento revela que, entre 2017 e 2026, a agropecuária sul-mato-grossense agregou aproximadamente R$ 31,5 bilhões em valor de produção, impulsionada principalmente pela expansão das lavouras de grãos, pelo fortalecimento da pecuária de corte e pelo surgimento de novas cadeias produtivas.

O VBP é considerado um dos principais indicadores da atividade agropecuária brasileira, pois estima o faturamento gerado dentro das propriedades rurais antes da dedução dos custos de produção.

Soja lidera crescimento e amplia participação

Principal cultura agrícola de Mato Grosso do Sul, a soja ampliou sua importância ao longo da última década. Em 2017, a oleaginosa representava cerca de 31,7% do Valor Bruto da Produção estadual. Em 2026, essa participação alcançou 36,9%.

O avanço reflete o aumento da área cultivada, os ganhos de produtividade e a crescente demanda internacional pelo grão, especialmente em mercados asiáticos.

A soja permanece como o principal motor econômico do campo sul-mato-grossense, sustentando uma ampla cadeia de negócios que envolve armazenagem, logística, processamento industrial e exportação.

Pecuária mantém protagonismo

A bovinocultura de corte, atividade historicamente ligada ao desenvolvimento do Estado, também ampliou sua participação no VBP.

Em dez anos, o setor passou de 26,9% para 28,2% do indicador, mantendo Mato Grosso do Sul entre os principais produtores de carne bovina do Brasil.

O crescimento ocorre em meio aos investimentos em genética, manejo, integração lavoura-pecuária e abertura de novos mercados internacionais para a carne produzida no Estado.

Milho ganha espaço impulsionado pelo etanol

Outro destaque é o milho, cuja participação no Valor Bruto da Produção avançou de 12,2% para 13,7%.

O crescimento acompanha a consolidação da segunda safra e a expansão da indústria de etanol de milho, segmento que vem atraindo investimentos bilionários para Mato Grosso do Sul nos últimos anos.

Atualmente, o Estado figura entre os principais polos nacionais de produção do cereal e de biocombustíveis derivados do milho.

Cana perde participação, mas segue estratégica

Embora continue entre as principais atividades agrícolas do Estado, a cana-de-açúcar reduziu sua participação relativa no VBP, passando de 17,8% para 10,3%.

A redução não significa necessariamente queda de produção, mas reflete o crescimento mais acelerado de outras cadeias produtivas, especialmente soja e milho.

Mesmo assim, o setor sucroenergético continua desempenhando papel fundamental na economia estadual, com forte presença na produção de açúcar, etanol e bioenergia.

Amendoim desponta como nova fronteira agrícola

Uma das transformações mais significativas da década ocorreu na cultura do amendoim.

Em 2017, a atividade movimentava cerca de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul. Em 2026, o valor alcançou R$ 851 milhões, demonstrando um crescimento expressivo e colocando a cultura entre as mais promissoras do agronegócio estadual.

O avanço está ligado à diversificação produtiva e ao aproveitamento de áreas agrícolas em sistemas de rotação de culturas, especialmente em regiões tradicionalmente ligadas à cana-de-açúcar.

Riqueza continua concentrada nas principais cadeias

Apesar da diversificação observada nos últimos anos, os números mostram que a economia rural sul-mato-grossense continua fortemente concentrada em quatro atividades.

Soja, bovinocultura de corte, milho e cana-de-açúcar responderam por aproximadamente 89% de todo o Valor Bruto da Produção estadual em 2026, percentual semelhante ao registrado há uma década.

Essa concentração demonstra a força dessas cadeias produtivas, mas também evidencia o potencial para expansão de novos segmentos agrícolas e pecuários.

Mato Grosso do Sul mantém posição de destaque nacional

No cenário brasileiro, Mato Grosso do Sul permanece entre os maiores produtores agropecuários do país.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Estado ocupa atualmente a sétima posição no ranking nacional do Valor Bruto da Produção, mantendo a mesma colocação registrada há dez anos.

À frente de Mato Grosso do Sul estão São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Os números reforçam a importância estratégica do Estado para a produção de alimentos, fibras e energia renovável, consolidando Mato Grosso do Sul como uma das principais potências do agronegócio brasileiro.

Por: Redação Caderno Agro