
O mercado da soja voltou a ganhar força nesta semana, impulsionado principalmente pelas incertezas climáticas nos Estados Unidos. Reflexo desse movimento, a saca de 60 quilos negociada no Porto de Paranaguá (PR) alcançou R$ 139,71, a maior cotação registrada em 2026.
A valorização ocorreu mesmo com o dólar operando próximo de R$ 5,15, evidenciando que, neste momento, a Bolsa de Chicago voltou a exercer maior influência sobre a formação dos preços da oleaginosa.
No mercado brasileiro, a cotação da soja é determinada por três fatores principais: os contratos futuros negociados em Chicago, os prêmios de exportação praticados nos portos e a taxa de câmbio. A combinação desses elementos define a remuneração recebida pelo produtor.
Segundo a analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, a alta em Chicago compensou a redução dos prêmios observada em Paranaguá.
“Mesmo com o dólar trabalhando na faixa de R$ 5,15, tivemos redução dos prêmios, mas a valorização da soja na Bolsa de Chicago compensou esse movimento”, explica.
Clima nos Estados Unidos domina o mercado
O principal fator de sustentação das cotações continua sendo o clima no cinturão agrícola norte-americano. As previsões meteorológicas indicam a possibilidade de uma onda de calor acompanhada por redução das chuvas nas próximas semanas, justamente durante uma das fases mais importantes para o desenvolvimento das lavouras de soja e milho.
Historicamente, os meses de junho a agosto representam o chamado “mercado climático” nos Estados Unidos, período em que qualquer alteração nas condições das lavouras provoca forte volatilidade nas bolsas internacionais.
Embora projeções apontem que o fenômeno El Niño possa favorecer o regime de chuvas ao longo do verão norte-americano, especialistas avaliam que ainda há elevado grau de incerteza sobre sua intensidade e seus impactos na produtividade da safra.
Para Ana Luiza Lodi, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX, o balanço global de oferta permanece confortável, mas o desempenho da safra norte-americana será decisivo para a direção dos preços nos próximos meses.

China mantém protagonismo nas compras
Outro fator acompanhado de perto pelo mercado é a demanda da China, maior importadora mundial de soja.
Nos últimos dias, a estatal chinesa Cofco adquiriu aproximadamente 300 mil toneladas de soja norte-americana, com embarques previstos entre setembro e novembro, dentro dos compromissos comerciais firmados entre Estados Unidos e China.
Apesar desse avanço das compras junto aos norte-americanos, o Brasil continua competitivo graças ao elevado volume disponível após a safra recorde colhida nesta temporada.
A expectativa do mercado é de que o país siga como um dos principais fornecedores da China ao longo do segundo semestre, ainda que os preços apresentem sustentação em níveis mais elevados.
Para o produtor brasileiro, o cenário permanece positivo, mas exige acompanhamento constante das condições climáticas nos Estados Unidos e da dinâmica das compras chinesas. Uma eventual quebra na produção norte-americana pode impulsionar ainda mais as cotações internacionais. Por outro lado, caso a safra dos EUA confirme boa produtividade, a tendência é de maior pressão sobre os prêmios pagos nos portos brasileiros.
Por: Amanda Coelho
