
Após meses de forte valorização, os preços internacionais do café perderam força em junho. O Indicador Composto de Preços da Organização Internacional do Café (OIC) registrou média de 248,9 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,8% em relação a maio, atingindo o menor nível dos últimos dois anos. Apesar da retração, as cotações reagiram ao longo do mês e encerraram junho com alta de 17,4% em relação à mínima registrada no dia 9.
Segundo relatório divulgado pela OIC, a expectativa de uma safra maior no ciclo 2026/27, especialmente no Brasil, continua pressionando os preços. No entanto, o mercado voltou a monitorar de perto os riscos climáticos, que podem alterar esse cenário no segundo semestre.
A principal preocupação é a possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade no fim do ano, além do excesso de chuvas registrado durante a colheita brasileira. Esses fatores podem comprometer tanto o ritmo dos trabalhos quanto a qualidade dos grãos.
No Brasil, maior produtor mundial, as precipitações atrasaram a colheita, principalmente nas lavouras de café arábica em Minas Gerais. Levantamento da Safras & Mercado mostra que, até 24 de junho, apenas 44% da área havia sido colhida, índice inferior aos 51% registrados no mesmo período de 2025 e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 47%.
Mesmo com essa preocupação, os fundamentos de oferta seguem limitando movimentos mais fortes de alta. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma safra brasileira recorde, enquanto a Conab estima produção de 66,7 milhões de sacas, com crescimento de 28% na colheita de café arábica.
No comércio internacional, as exportações mundiais de café verde somaram 10,8 milhões de sacas em maio, queda de 4,1% na comparação anual. O recuo foi puxado pelos embarques de arábica, enquanto o robusta apresentou crescimento. Já as exportações dos chamados Naturais Brasileiros caíram 17,2%, totalizando 2,73 milhões de sacas.
Para a OIC, o mercado passa a conviver com dois fatores opostos: de um lado, a expectativa de uma oferta robusta limita a valorização das cotações; de outro, os riscos climáticos, os estoques reduzidos e o atraso da colheita brasileira mantêm a volatilidade elevada e podem influenciar a formação dos preços nos próximos meses.
Por: Redação Caderno Agro
