
A carne bovina brasileira ficou de fora da nova tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos, uma decisão considerada estratégica pelo setor exportador diante da forte dependência americana das importações para atender sua demanda interna.
O cenário é marcado pela menor oferta de bovinos nos Estados Unidos em décadas. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontam que o rebanho americano registrou 86,2 milhões de cabeças em janeiro de 2026, o menor volume desde 1951. O número de vacas de corte caiu para 27,6 milhões, enquanto a produção de bezerros atingiu o menor nível desde 1941.
A redução do plantel é resultado de anos de seca, aumento dos custos de produção e descarte elevado de matrizes. Mesmo com a melhora das condições climáticas, a recuperação do rebanho deve levar anos, mantendo a oferta de carne limitada.
Com menor produção interna, os Estados Unidos ampliaram as compras no mercado internacional. A projeção do USDA indica que o país deverá importar cerca de 2,77 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, crescimento de aproximadamente 12% em relação ao ano anterior.
O Brasil ganhou espaço nesse cenário e passou a ser um fornecedor estratégico para o mercado americano. Para o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a exclusão da carne brasileira da tarifa segue uma lógica econômica.
Segundo ele, produtos como carne bovina, café e suco de laranja foram preservados porque há necessidade de abastecimento nos Estados Unidos.
Além da baixa oferta de animais, a pecuária americana enfrenta desafios sanitários. O país registrou casos da bicheira do Novo Mundo, doença causada por larvas de uma mosca que pode comprometer a saúde dos animais e afetar a produtividade dos rebanhos.
Com a combinação entre menor produção, desafios sanitários e recuperação lenta do plantel, a expectativa é de que os Estados Unidos continuem dependentes das importações de carne bovina nos próximos anos.
Por: Amanda Coelho
