Colheita do milho ganha ritmo em MS, mas segue atrasada em relação à safra passada

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Foto: Jose Schafer

A colheita do milho segunda safra começou a acelerar em Mato Grosso do Sul. Levantamento da Aprosoja/MS mostra que, até o dia 17 de julho, os produtores haviam colhido 15,8% da área cultivada, o equivalente a aproximadamente 349 mil hectares. Apesar do avanço nas máquinas em campo, o ritmo ainda está abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Em apenas uma semana, o percentual de área colhida saltou de 8,2% para 15,8%, um crescimento de 7,6 pontos percentuais. Mesmo assim, os trabalhos seguem 4,3 pontos abaixo do desempenho observado na safra passada.

Segundo a Aprosoja/MS, o principal fator para a lentidão foi o excesso de chuvas no início da colheita, especialmente nas principais regiões produtoras do Estado. Com o retorno do tempo seco na segunda quinzena de julho, os produtores intensificaram as operações, aproveitando as melhores condições para retirar o milho das lavouras.

Entre as regiões, o sul lidera o avanço da colheita, com 17,5% da área já colhida, seguido pela região central, com 16,9%. Já o norte apresenta o menor percentual, com apenas 3% dos trabalhos concluídos.

Produção segue estimada em mais de 11 milhões de toneladas

Mesmo com o atraso na colheita, a Aprosoja/MS manteve as projeções para a safra 2025/26. A expectativa é de cultivo em 2,206 milhões de hectares, produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total de 11,139 milhões de toneladas.

O levantamento também aponta uma mudança no perfil das áreas cultivadas. Atualmente, o milho ocupa cerca de 46% da área destinada à soja em Mato Grosso do Sul, percentual bem inferior aos cerca de 75% registrados em anos anteriores. A redução está relacionada à substituição de áreas semeadas fora da janela ideal por culturas como sorgo, milheto e pastagens, alternativas consideradas menos expostas aos riscos climáticos.

A expectativa é de uma produção total de 11,139 milhões de toneladas – Foto: Divulgação

Lavouras mantêm bom potencial produtivo

As condições das lavouras seguem relativamente positivas. De acordo com o monitoramento da entidade, 71% das áreas são classificadas como boas, enquanto 17,9% apresentam condição regular e 11% estão em situação considerada ruim. A avaliação leva em conta fatores como desenvolvimento das plantas, incidência de pragas e doenças e potencial produtivo.

Regionalmente, o destaque é o nordeste do Estado, onde 96,7% das lavouras foram avaliadas como boas. Em contrapartida, a região central concentra o maior percentual de áreas em condição ruim, com 23,8%, seguida pela região sul-fronteira, com 17,7%.

Os primeiros talhões colhidos reforçam uma perspectiva positiva para a safra. As produtividades registradas variam entre 70 e 140 sacas por hectare, resultado que sustenta a estimativa de produção divulgada pela Aprosoja/MS.

Para as próximas semanas, a atenção dos produtores permanece voltada ao clima. A entidade alerta que a influência de um El Niño de forte intensidade pode provocar chuvas irregulares, rajadas de vento e episódios isolados de granizo, fatores que exigem acompanhamento durante o avanço da colheita.

Por: Amanda Coelho