Agro perde força no início de 2026 e acende alerta para a economia brasileira

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Responsável por puxar boa parte do crescimento da economia brasileira nos últimos anos, o agronegócio começou 2026 em ritmo mais lento. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuou 2,01% no primeiro trimestre do ano, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O resultado interrompe o embalo deixado por 2025, quando o agronegócio registrou expansão superior a 12% e foi um dos principais responsáveis por sustentar o crescimento da economia nacional. Agora, a retração acende um sinal de alerta, já que o desempenho do campo continua sendo decisivo para o PIB brasileiro.

Mais do que representar uma parcela expressiva da produção nacional, o agro movimenta uma extensa cadeia econômica que envolve indústrias, transporte, comércio, exportações, geração de empregos e arrecadação. Quando o setor desacelera, os reflexos tendem a atingir diretamente o ritmo de crescimento do país.

De acordo com o estudo, o PIB do agronegócio foi estimado em R$ 3,13 trilhões entre janeiro e março de 2026. Desse montante, R$ 1,88 trilhão corresponde às atividades agrícolas e R$ 1,25 trilhão à pecuária.

Com esse desempenho, a participação do agronegócio no PIB nacional caiu para 22,8% em 2026, ante os 25,2% registrados no ano passado. Embora ainda represente praticamente um quarto de toda a riqueza produzida no Brasil, a redução evidencia um momento de acomodação após o forte crescimento observado em 2025.

Segundo os pesquisadores do Cepea e da CNA, a desaceleração já havia começado no último trimestre do ano passado e se estendeu para os primeiros meses deste ano. O principal fator é a expectativa de redução no valor da produção agropecuária ao longo de 2026, uma vez que a queda dos preços de diversas commodities tem superado os ganhos esperados de produtividade em várias cadeias agrícolas e pecuárias.

Os números mostram que todos os elos do agronegócio sentiram os efeitos desse cenário. O segmento primário, que reúne as atividades dentro da porteira, apresentou a maior retração, de 4,15%. Também houve queda nos insumos (-2,15%), nos agrosserviços (-1,25%) e na agroindústria (-1,03%).

Apesar do resultado negativo, a pecuária apresentou sinais mais positivos em alguns segmentos da cadeia. Na agroindústria de base pecuária houve crescimento, favorecido pela redução dos custos intermediários. Já os agrosserviços ligados à pecuária também avançaram, impulsionados pela maior demanda por transporte, armazenagem, comércio e logística.

Para estados altamente dependentes do agronegócio, como Mato Grosso do Sul, a desaceleração merece atenção especial. O setor é a principal locomotiva da economia sul-mato-grossense, responde pela maior parte das exportações estaduais e exerce influência direta sobre a geração de empregos, renda e investimentos. Assim, qualquer redução no desempenho do agro tende a produzir efeitos que vão muito além das propriedades rurais, alcançando diversos segmentos da economia.

Especialistas destacam, no entanto, que o recuo registrado no primeiro trimestre não altera o protagonismo do agronegócio brasileiro. O setor segue como um dos principais pilares da economia nacional e continua sendo responsável por manter o Brasil entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. O desafio, agora, será recuperar a rentabilidade diante da pressão sobre os preços das commodities e preservar a capacidade do agro de continuar impulsionando o crescimento econômico do país.

Por: Amanda Coelho