Pesquisa vai medir quanto da tecnologia disponível já chegou, de fato, às propriedades rurais

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A tecnologia já está presente no agronegócio brasileiro, mas uma pergunta ainda precisa ser respondida: quanto dela está realmente sendo utilizada para melhorar a gestão, a produtividade e a tomada de decisões dentro das propriedades?

É justamente isso que uma nova pesquisa pretende medir. A Rural, empresa de investimentos e consultoria especializada no agronegócio, lançou nesta segunda-feira (10) o Rural IAT (Índice de Adoção Tecnológica do Agro Brasileiro), estudo que vai ouvir cerca de mil produtores e profissionais do setor em 19 polos agrícolas do país.

Os resultados serão apresentados em novembro, durante a edição 2026 do Rural Tech Report.

Mais do que saber se o produtor possui determinada tecnologia, o levantamento pretende avaliar o nível de utilização dessas ferramentas no dia a dia da propriedade. A metodologia utilizará uma escala de 1 a 5 para classificar o grau de adoção tecnológica.

A diferença é importante. Ter uma máquina equipada com piloto automático, por exemplo, não significa necessariamente que o recurso seja utilizado de forma efetiva. Da mesma maneira, gerar dados por meio de equipamentos não garante que essas informações estejam sendo utilizadas para orientar decisões agronômicas ou financeiras.

“O objetivo é ir além do básico. Comprar uma máquina agrícola com piloto automático não é o mesmo que ter o piloto operando no dia a dia, e nenhuma das duas coisas é o mesmo que usar o dado gerado por esse equipamento para a tomada de decisão agronômica e financeira”, explica Fernando Rodrigues, CEO da Rural.

O que será medido

O estudo vai abranger oito segmentos do agronegócio: grãos, pecuária de corte, leite, cana-de-açúcar, café, hortifrúti, silvicultura e aquicultura.

A pesquisa terá duas frentes principais de avaliação.

A primeira vai analisar a adoção funcional da tecnologia na operação, considerando gestão e tomada de decisão; agricultura de precisão e sensoriamento; automação e maquinário; além de cadeia e comercialização.

A segunda avaliará as chamadas “fronteiras de valor”, que envolvem biotecnologia e bioinsumos, tecnologias relacionadas ao clima e mercado de carbono e ferramentas de inclusão financeira.

As respostas dos participantes também serão cruzadas com indicadores de produtividade de cada atividade. A proposta é identificar não apenas o nível de tecnologia utilizado, mas também sua relação com os resultados obtidos em diferentes cadeias produtivas.

Tecnologia precisa virar resultado

O levantamento ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro amplia a oferta de soluções tecnológicas, enquanto produtores enfrentam pressão crescente por produtividade, redução de custos, eficiência operacional e gestão de riscos.

Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas sobre quanto o setor investe em tecnologia e passa a envolver uma questão mais prática: o investimento está efetivamente gerando resultado no campo?

A resposta poderá ajudar a identificar onde a tecnologia já está consolidada e onde ainda existe uma distância entre as soluções disponíveis e sua aplicação nas propriedades.

O Rural IAT também pretende cruzar os resultados obtidos no campo com informações sobre investimentos e desenvolvimento do ecossistema de agtechs reunidas pelo Rural Tech Report.

Segundo Rodrigues, esse cruzamento permitirá observar a relação entre o capital direcionado para inovação e a utilização efetiva dessas soluções pelos produtores.

“O cruzamento inédito revelará a aderência entre a alocação de capital e a prática no campo, mostrando onde os recursos aplicados se traduziram em uso efetivo”, afirma.

Os dados completos estão previstos para novembro, quando poderão mostrar, de forma mais clara, quais segmentos do agronegócio brasileiro estão avançando mais rapidamente na adoção tecnológica e onde ainda existem gargalos para transformar inovação em produtividade e eficiência.

Por: Redação Caderno Agro