Boi gordo mantém força em agosto e pecuária de MS ganha destaque com oferta restrita

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O mercado do boi gordo chega à segunda metade de agosto sustentado, com preços firmes e oferta mais enxuta de animais terminados. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários do país, o cenário reforça a força da atividade e mantém a arroba em patamares elevados.

Segundo o Cepea, as negociações desta quinta-feira (13) apresentaram estabilidade nas principais regiões produtoras, mas com razoável liquidez. Em São Paulo, a arroba foi negociada entre R$ 345 e R$ 350, com lotes pontuais chegando a R$ 355.

O indicador Cepea/Esalq, que já havia avançado nas últimas semanas, está na casa de R$ 350 por arroba, mantendo o boi gordo em um dos níveis mais elevados do ano.

Em Mato Grosso do Sul, as referências também permanecem firmes, acompanhando o movimento nacional e refletindo a menor disponibilidade de animais prontos para o abate. O mercado sul-mato-grossense segue entre os mais relevantes do país, sustentado por um rebanho expressivo, forte presença da indústria frigorífica e participação crescente nas exportações de carne bovina.

Oferta curta dá força à arroba

A principal característica do mercado neste momento é a dificuldade dos frigoríficos em encontrar lotes maiores de animais terminados.

Mesmo com alguns compradores fora do mercado e indicando retorno às negociações apenas na próxima semana, o Cepea registrou um volume razoável de negócios. Do lado vendedor, porém, muitos pecuaristas resistem às ofertas atuais e preferem aguardar novas altas.

Essa postura ajuda a limitar a oferta disponível e dá sustentação às cotações.

As escalas de abate variaram conforme a necessidade de compra de cada região, ficando, de maneira geral, entre quatro e dez dias. Também foram observadas programações mais longas em casos pontuais.

Mercado firme em Goiás e Rondônia

Em Rio Verde (GO), a oferta mais restrita abriu espaço para reajustes de até R$ 10 por arroba. Os negócios ocorreram entre R$ 330 e R$ 335.

Em Rondônia, as cotações permaneceram estáveis, na faixa de R$ 325 a R$ 330 por arroba. As escalas de abate ficaram entre quatro e sete dias.

O comportamento mostra que, apesar das diferenças regionais, a disponibilidade de animais terminados continua sendo o principal fator de sustentação do mercado.

Pecuária de MS mantém protagonismo

Para Mato Grosso do Sul, o cenário é especialmente relevante. O Estado tem uma das maiores bases pecuárias do Brasil e uma cadeia estruturada que reúne produção, genética, terminação, indústria frigorífica e exportação.

A firmeza da arroba beneficia diretamente o produtor, principalmente em um momento de oferta mais ajustada. Ao mesmo tempo, os preços elevados aumentam a importância da gestão da propriedade, já que o custo de reposição e a margem entre as diferentes categorias passam a ser determinantes para o resultado da atividade.

O mercado chega à segunda metade de agosto, portanto, em equilíbrio de forças: frigoríficos precisam garantir matéria-prima, enquanto pecuaristas seguram parte dos animais na expectativa de preços ainda melhores.

A tendência dos próximos dias dependerá principalmente da oferta de animais terminados, do ritmo de compra das indústrias e da capacidade de manutenção das escalas de abate.

Com oferta restrita e demanda ainda presente, a pecuária brasileira — e especialmente a de Mato Grosso do Sul — segue mostrando força em um dos mercados mais importantes do agronegócio nacional.

Caderno Agro