Boi gordo perde força, frigoríficos pressionam e MS registra arroba a R$ 339,96

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O mercado do boi gordo começou agosto aquecido, mas perdeu fôlego ao longo do mês. Enquanto frigoríficos reduzem a pressão de compra e tentam negociar preços menores com os pecuaristas, a carne bovina segue sustentada no atacado da Grande São Paulo, mostrando um descompasso entre as duas pontas da cadeia.

Segundo o Cepea, a menor necessidade dos frigoríficos de formar novas escalas no mercado spot reduziu a sustentação das cotações da arroba. O movimento ganhou força na segunda quinzena do mês, período em que a demanda interna costuma desacelerar.

Na quarta-feira (19), os preços recuaram nas principais praças pecuárias do país. Em Mato Grosso do Sul, o Indicador do Boi Datagro apontou média de R$ 339,96 por arroba. São Paulo liderou entre as praças pesquisadas, com R$ 343,74, enquanto Minas Gerais ficou em R$ 339,13 e Goiás em R$ 335,07.

Para o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a combinação de consumo interno mais lento e exportações enfraquecidas aumenta a oferta de carne no mercado doméstico. O cenário também é influenciado pelo fim da cota chinesa, que reduz o ritmo das exportações.

Mesmo com a perda de força do boi gordo, a carne não acompanha integralmente o movimento. No atacado da Grande São Paulo, os preços permanecem firmes. O quarto traseiro está em R$ 27,00 por quilo, o dianteiro em R$ 21,00 e a ponta de agulha em R$ 19,50.

O cenário coloca o pecuarista diante de uma disputa mais dura pela formação de preços: de um lado, frigoríficos com escalas mais confortáveis e maior poder de negociação; de outro, uma carne que ainda sustenta valores no atacado.

Apesar da pressão recente, o Cepea ressalta que a arroba permanece em patamares elevados. A direção do mercado, agora, depende principalmente do ritmo das compras dos frigoríficos, do consumo doméstico e do comportamento das exportações nas próximas semanas.

Por: Amanda Coelho