Falta de mão de obra deixa de ser problema sazonal e desafia produção de hortifrútis

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A falta de trabalhadores no campo deixou de ser um problema restrito aos períodos de maior demanda e se tornou um gargalo permanente para a produção de hortifrútis no Brasil. Regiões importantes do setor, como o Vale do São Francisco, o Cinturão Verde de São Paulo e o Sul de Minas Gerais, relatam dificuldades frequentes para formar equipes, principalmente para atividades que dependem de trabalho manual, como a colheita.

Os motivos são diversos. Entre os fatores apontados estão o envelhecimento da mão de obra rural, a saída de jovens para as cidades, a concorrência com a construção civil e os serviços urbanos e as condições de trabalho de algumas atividades, que exigem esforço físico contínuo e exposição ao sol.

Uma pesquisa citada pela revista Hortifruti Brasil mostra, porém, que os próprios produtores enxergam outros fatores como mais relevantes. Entre os entrevistados, 67% apontaram programas sociais como uma das principais razões para a dificuldade de contratação. O envelhecimento da mão de obra apareceu em seguida, citado por 36%, enquanto o êxodo rural foi mencionado por 25%. A falta de qualificação foi apontada por 20% e a urbanização de áreas rurais, por 19%.

O cenário aumenta a pressão sobre os produtores, que precisam produzir mais com equipes menores. Nesse contexto, mecanização, automação e tecnologias de manejo passam a ganhar espaço não apenas para reduzir custos, mas também para compensar a falta de trabalhadores.

Entre as estratégias adotadas pelos produtores estão a mecanização e a adoção de técnicas de manejo mais eficientes, ambas citadas por 21,9% dos entrevistados. Também aparecem a terceirização (13,3%), a melhoria das condições de trabalho (13,3%) e a bonificação por produtividade (12,4%).

A tecnologia já pode ser aplicada em diferentes etapas, com ferramentas como drones, máquinas para aplicação de insumos e sistemas de fertirrigação. Outra alternativa é a cooperação entre produtores, com o compartilhamento de máquinas e equipamentos e o planejamento conjunto das colheitas para aproveitar melhor as equipes disponíveis.

Mesmo com o avanço tecnológico, o trabalhador continuará sendo essencial no hortifrúti. Por isso, a solução também passa por qualificação, melhores condições de transporte, alimentação e alojamento, além de mecanismos de valorização e remuneração por produtividade.

Para o setor, o desafio dos próximos anos não será apenas encontrar trabalhadores, mas adaptar o modelo de produção a uma realidade em que a disponibilidade de mão de obra tende a ser cada vez menor. A combinação entre tecnologia, gestão e valorização dos profissionais deve ganhar espaço para garantir a produtividade no campo.

Não há, no material enviado, dados específicos sobre Mato Grosso do Sul que permitam acrescentar informações estaduais com segurança.

Por: Amanda Coelho