
Na pecuária sul-mato-grossense, onde a força do campo se mistura à tradição de selecionar animais cada vez mais adaptados e eficientes, o bezerro ocupa um lugar estratégico. É no nascimento, na cria e na recria que começa boa parte da conta que, mais adiante, chega ao boi gordo. E, neste momento, essa conta está mais valorizada.
Até o dia 19 de agosto, o bezerro liderava a projeção de alta entre os principais produtos da cadeia da pecuária de corte, com valorização de 9,60% no período, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com preços apurados em Mato Grosso do Sul. Na sequência aparecem o boi gordo, com avanço de 8,26%, e a carcaça casada, que acumulava alta de 5,29%.
O movimento mostra que a valorização não está concentrada apenas na ponta do abate. Ela também alcança a base do sistema produtivo, justamente em uma etapa que tem peso importante para quem trabalha com cria e recria. O bezerro é o elo que conecta a genética utilizada nas propriedades, a capacidade de produção das matrizes e o desempenho futuro dos animais terminados.
Em Mato Grosso do Sul, esse mercado ganha características próprias. O Estado possui uma pecuária marcada pela seleção genética e pela busca constante por animais mais produtivos, mas também pela necessidade de adaptação às diferentes condições de produção. No Pantanal, por exemplo, a rusticidade e a resistência dos animais são atributos fundamentais para enfrentar um ambiente que exige capacidade de adaptação. O chamado gado pantaneiro carrega justamente essa característica de maior resistência, enquanto os programas de melhoramento e a seleção de animais mais eficientes ajudam a elevar o desempenho dos rebanhos.
Essa combinação entre genética, adaptação e demanda faz do bezerro uma categoria especialmente importante dentro da pecuária sul-mato-grossense. Quando os preços avançam, o reflexo pode ser sentido tanto por quem produz o bezerro na cria quanto por quem compra o animal para recriá-lo e posteriormente levá-lo à terminação.
Os valores levantados pelo Cepea reforçam esse cenário. O bezerro desmamado, macho, Nelore, com idade entre 8 e 12 meses, estava sendo negociado próximo de R$ 487,08 por arroba. Trata-se de uma referência importante para acompanhar o comportamento da categoria e medir a evolução dos preços dentro de um mercado em que qualidade, peso, padrão racial e genética podem fazer diferença na negociação.
Para chegar aos indicadores, o Cepea acompanha negócios realizados no mercado físico e consulta diferentes agentes envolvidos na comercialização do gado, entre pecuaristas, escritórios de compra e venda, corretores e leiloeiras. Em Mato Grosso do Sul, os preços são apurados em importantes regiões pecuárias, incluindo Três Lagoas, Campo Grande, Dourados, Pantanal e Cassilândia.
A valorização do bezerro, portanto, não é apenas um número isolado na formação dos preços da pecuária. Ela ajuda a revelar o momento vivido por toda a cadeia e coloca novamente a cria e a recria no centro das atenções. Em um Estado que tem na pecuária uma de suas principais atividades econômicas, acompanhar o preço do animal jovem é também acompanhar o valor da genética, da eficiência produtiva e do trabalho realizado desde a formação do rebanho até a chegada do boi ao frigorífico.
Caderno Agro
