Dia do Avicultor: uma profissão que transforma cuidado, tecnologia e resiliência em alimento

Compartilhe:

Antes de chegar à mesa, o frango passa por uma verdadeira operação de precisão. Dentro dos galpões, cada detalhe importa: temperatura, ventilação, alimentação, água, iluminação e, principalmente, cuidados sanitários. É nesse ambiente que o avicultor acompanha de perto o desenvolvimento das aves, enfrentando desafios diários para transformar pintinhos em proteína que alimenta milhões de brasileiros.

Criar frangos está longe de ser apenas colocar aves em um barracão e esperar que elas cresçam. É uma atividade que exige conhecimento, dedicação, tecnologia e muita resiliência. O produtor precisa estar atento ao comportamento dos animais, às condições climáticas, à qualidade da ração e aos protocolos de biosseguridade. Do início da criação até o momento em que as aves seguem para o abate, cada etapa é fundamental para garantir produtividade e qualidade.

É justamente para reconhecer esse trabalho que 28 de agosto é celebrado como o Dia do Avicultor. A data homenageia quem está na base de uma das cadeias mais importantes da produção de alimentos e que, em Mato Grosso do Sul, vem ganhando cada vez mais espaço.

MS acelera na produção de frangos

Os números mostram a força que a avicultura alcançou no estado. Entre janeiro e maio de 2026, Mato Grosso do Sul registrou o abate de 78,2 milhões de frangos. O volume representa crescimento de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, ritmo mais de três vezes superior ao crescimento registrado pela média nacional.

Somente nos dois primeiros meses do ano, foram processadas 30,6 milhões de aves, alta de 6,97% na comparação com o primeiro bimestre de 2025.

O avanço coloca a avicultura sul-mato-grossense em uma trajetória de expansão e fortalece uma cadeia que movimenta desde a produção de milho e soja, utilizados na fabricação das rações, até as granjas, agroindústrias, transportadoras, frigoríficos e demais empresas ligadas ao setor.

Entre os principais polos da avicultura de corte estão municípios como Sidrolândia, Dourados, Itaquiraí, Fátima do Sul, Caarapó e Glória de Dourados.

O ovo também ganha espaço

A força da avicultura sul-mato-grossense não está apenas na produção de carne. A avicultura de postura também apresenta um crescimento expressivo.

Dados do IBGE apontam que a produção de ovos no estado cresceu 228% na última década, alcançando atualmente cerca de 121,8 milhões de dúzias por ano. O resultado demonstra que a cadeia avícola vem se diversificando e ampliando sua participação na economia estadual.

Produção que movimenta outras cadeias

A avicultura também tem uma característica importante para o agronegócio: sua capacidade de movimentar diferentes segmentos simultaneamente. Para alimentar os plantéis, são utilizadas grandes quantidades de milho e farelo de soja, aproximando a produção de aves das cadeias de grãos e fortalecendo as fábricas de ração instaladas no estado.

Assim, quando a atividade avícola cresce, o impacto vai muito além dos galpões. O movimento chega ao campo, à indústria, ao transporte, ao comércio e aos serviços especializados.

Frango sul-mato-grossense também cruza fronteiras

A produção estadual também conquistou espaço no mercado internacional. Nos dois primeiros meses de 2026, Mato Grosso do Sul exportou cerca de 28 mil toneladas de carne de frango, movimentando US$ 62,8 milhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a receita das exportações cresceu 9,1%.

O desempenho reforça a importância da atividade para a balança comercial do estado e mostra que o trabalho realizado dentro das granjas está conectado a mercados consumidores muito além das fronteiras de Mato Grosso do Sul.

Avimasul fortalece a representação do setor

Nesse cenário de crescimento, a atuação das entidades representativas também ganha importância. A Associação de Avicultura de Mato Grosso do Sul (Avimasul) tem papel estratégico na defesa dos interesses dos produtores e no fortalecimento da cadeia avícola estadual.

À frente da entidade está Franciele Corneli, que atua na representação dos avicultores e em pautas fundamentais para o desenvolvimento da atividade, entre elas a biosseguridade, o combate à gripe aviária e a construção de ações que aproximem produtores e demais integrantes da cadeia.

A associação também promove iniciativas e eventos voltados ao setor, como o Fórum da Avimasul, realizado em Dourados, contribuindo para a troca de conhecimento e para o debate sobre os desafios e as oportunidades da avicultura em Mato Grosso do Sul.

Presidente da Avimasul, Franciele Corneli, durante o fórum realizado em maio em Dourados – Foto: Divulgação/Sistema Famasul

Incentivo e novos investimentos

O poder público também participa desse movimento de expansão. O Governo de Mato Grosso do Sul mantém o Programa Frango Vida, voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva por meio de incentivos fiscais. Atualmente, o programa conta com 291 estabelecimentos cadastrados e cinco frigoríficos parceiros.

A combinação entre produção de grãos, disponibilidade de matéria-prima para ração, estrutura industrial, mão de obra, investimentos e organização dos produtores cria um ambiente favorável para o desenvolvimento da atividade no estado.

Mas, por trás de todos esses números, existe um personagem que merece ser lembrado neste 28 de agosto. É o avicultor.

É ele quem começa o dia acompanhando os galpões, verificando se a temperatura está adequada, se as aves estão se alimentando e se tudo funciona como deveria. É quem convive com os desafios do clima, dos custos de produção, das exigências sanitárias e do mercado. Uma atividade que exige precisão de técnico, cuidado de quem conhece os animais e persistência de quem não pode parar.

Neste Dia do Avicultor, mais do que celebrar uma profissão, a data reconhece homens e mulheres que ajudam a colocar alimento na mesa e fazem da avicultura uma das atividades que movimentam o agronegócio de Mato Grosso do Sul. E, enquanto o consumidor vê apenas o frango pronto no prato, o avicultor conhece toda a história que existe por trás dele.

Por: Amanda Coelho