Mulheres que inovam no campo ganham destaque na 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro

Compartilhe:

A força feminina no agronegócio brasileiro ganhou destaque na 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). A premiação reconheceu nove produtoras rurais e uma pesquisadora que se destacaram por iniciativas ligadas à inovação, sustentabilidade, gestão e desenvolvimento do setor.

O anúncio das vencedoras ocorreu na última quarta-feira (26), em São Paulo, durante evento que também reuniu especialistas, produtoras e representantes do agronegócio para discutir os desafios e as oportunidades para os próximos anos.

A edição de 2026 registrou recorde de participação, com 394 inscrições. Desde a criação do prêmio, em 2018, 85 mulheres já foram reconhecidas pela iniciativa.

Os projetos são avaliados a partir de critérios ambientais, sociais e de governança, considerando aspectos como uso racional dos recursos naturais, eficiência produtiva, conservação do solo e desenvolvimento das comunidades.

“Reconhecer as mulheres e o impacto excepcional que geram no campo é um compromisso contínuo da Bayer”, afirmou Caroline Assalve, líder de Gestão Executiva da divisão agrícola da empresa. Segundo ela, a participação recorde reforça a importância de ampliar a visibilidade das mulheres no agronegócio.

Um estudo realizado em 2025 pelo Instituto Quiddity em parceria com a Bayer mostra a dimensão desse movimento. Segundo a pesquisa “Produtoras rurais e a inovação no campo”, 78% das produtoras entrevistadas consideram que dar maior visibilidade à atuação feminina é determinante para ampliar a participação das mulheres na cadeia produtiva.

Para a diretora executiva da ABAG, Gislaine Balbinot, as iniciativas reconhecidas pelo prêmio mostram que o protagonismo feminino já ultrapassa os limites das propriedades rurais.

“Há dez anos, lideramos um estudo pioneiro sobre a presença feminina no agro brasileiro. De lá para cá, o setor evoluiu, assim como a participação e a atuação das mulheres em toda a cadeia”, destacou.

Inovação dentro e fora da porteira

Na categoria Pequena Propriedade, o primeiro lugar ficou com Ana Karina Klinke, da Estância Futurama, em Holambra (SP).

À frente da propriedade familiar, ela transformou a fazenda em referência em seleção e melhoramento genético, conciliando produtividade e práticas regenerativas. Entre as iniciativas estão compostagem, conservação de nascentes e utilização de soluções biológicas, inoculantes e probióticos.

A produtora também ampliou sua atuação para além da propriedade, oferecendo consultoria e suporte técnico gratuito a pequenos produtores locais e participando de conselhos municipais voltados a projetos de arborização.

Na categoria Média Propriedade, a vencedora foi Kátia Helena Fenner Rodrigues, da Fazenda Varginha, em São Joaquim (SC).

Responsável pela continuidade de uma tradição familiar centenária, Kátia trabalha com frutas que possuem Indicação Geográfica (IG), extrativismo sustentável do pinhão e pecuária com protocolos de bem-estar animal e melhoramento genético.

Ela também criou o projeto “Mulheres Araucarianas”, que contribuiu para a criação do Selo Rosa, voltado à capacitação e ao fortalecimento das trabalhadoras rurais catarinenses.

Já na categoria Grande Propriedade, a primeira colocação ficou com Aline Baldim Vick, economista e gestora da Fazenda Estância, em Pirassununga (SP).

Depois de atuar no mercado financeiro, Aline retornou ao negócio da família e implantou um modelo de produção regenerativa em larga escala. A propriedade utiliza rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo direcionado por talhão.

De acordo com a organização do prêmio, as estratégias adotadas contribuíram para colheitas até 25% superiores à média regional e para uma pegada de carbono no cultivo de grãos abaixo da média nacional.

A fazenda também mantém áreas destinadas à conservação da biodiversidade, com espécies ameaçadas de extinção, e já recebeu mais de 1,2 mil visitantes interessados em conhecer práticas de agricultura regenerativa.

Ciência também tem protagonismo feminino

Na categoria Ciência e Pesquisa, a vencedora foi a bióloga Erika Valente de Medeiros, de Pernambuco.

Doutora em Agronomia e professora titular da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), Erika desenvolve pesquisas em microbiologia e bioquímica do solo, com trabalhos relacionados a biochar, desertificação, bioeconomia e agricultura sustentável no semiárido.

A pesquisadora possui mais de 200 artigos científicos publicados e sete patentes registradas. Também coordena projetos voltados ao desenvolvimento de bioinsumos e à recuperação de áreas degradadas.

A categoria contou ainda com votação popular, que ultrapassou 40 mil votos nesta edição.

Para Caroline Assalve, da Bayer, as histórias reconhecidas em 2026 mostram a capacidade das mulheres de liderar mudanças no campo e na ciência.

“As histórias e as boas práticas que conhecemos na 9ª edição são sinônimo de resiliência, coragem e capacidade de inovação. Elas evidenciam que a atuação feminina está na vanguarda do desenvolvimento agrícola e científico”, afirmou.

Confira as vencedoras

Pequena Propriedade

1º lugar – Ana Karina Klinke – São Paulo
2º lugar – Roseilda Lima Duarte – São Paulo
3º lugar – Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida – Minas Gerais

Média Propriedade

1º lugar – Kátia Helena Fenner Rodrigues – Santa Catarina
2º lugar – Suzana Muterle Viccini – Bahia
3º lugar – Sheilane Maria Rodrigues Magalhães – Ceará

Grande Propriedade

1º lugar – Aline Baldim Vick – São Paulo
2º lugar – Karina Santos Gontijo Seibt – Minas Gerais
3º lugar – Elisabete Kim Shih – Minas Gerais

Ciência e Pesquisa

Erika Valente de Medeiros – Pernambuco

Debate sobre o futuro do agro

Além da cerimônia de premiação, o evento promoveu debates sobre temas estratégicos para o agronegócio.

Um dos painéis discutiu “Transição Energética e Clima: desafios e oportunidades”, reunindo representantes do setor produtivo e especialistas em sustentabilidade, energia e biocombustíveis.

Outro debate abordou “Tecnologia e Inovação: Preparando o Agro para os Próximos Anos”, com participação de pesquisadoras, produtoras rurais e representantes do setor privado.

A programação reforçou a importância da ciência, da tecnologia, da sustentabilidade e da inovação para aumentar a eficiência e a competitividade do agronegócio brasileiro.

A 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro contou com apoio institucional de Andav, Fealq, Fatec Pompeia, Embrapa, Serasa Experian, Fundação Shunji Nishimura, Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável e Nestlé.

Mais informações sobre a premiação e as vencedoras estão disponíveis em www.premiomulheresdoagro.com.br.

Por: Amanda Coelho