
O mercado do boi gordo encerra a semana marcado por estabilidade e pouca liquidez. Com a oferta de animais mais restrita, pecuaristas seguem resistentes aos preços oferecidos pelos frigoríficos, enquanto as indústrias adotam estratégias para manter as escalas de abate sem elevar significativamente os valores pagos pela arroba.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento ficou ainda mais evidente nesta quinta-feira (27), quando o ritmo das negociações diminuiu em relação ao dia anterior. Alguns compradores já saíram do mercado e devem retornar apenas na próxima semana.
Para Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários do país, o cenário merece atenção. A combinação entre menor disponibilidade de gado terminado e uma demanda por carne ainda sem grande força limita o espaço para novas altas, mas também dificulta movimentos mais fortes de queda na arroba.
Frigoríficos administram as escalas
O principal ponto de equilíbrio do mercado neste momento está nas escalas de abate. Com menos animais disponíveis, frigoríficos de pequeno e médio porte têm reduzido o ritmo dos abates ou recorrido a bovinos provenientes de confinamentos próprios.
A estratégia permite às indústrias administrar a necessidade de matéria-prima sem necessariamente entrar em uma disputa mais agressiva pela compra do boi.
Esse comportamento ajuda a explicar a estabilidade observada no mercado ao longo da semana. De um lado, o pecuarista demonstra menor disposição para vender por valores considerados abaixo das expectativas. Do outro, o frigorífico tenta preservar suas margens diante de uma comercialização de carne que ainda apresenta ritmo moderado.
São Paulo chega a R$ 350 por arroba
Em São Paulo, referência importante para a formação de preços no mercado brasileiro, a arroba do boi gordo foi negociada entre R$ 340 e R$ 345 nesta quinta-feira, com registros pontuais de negócios a R$ 350.
As escalas de abate ficaram, em média, em uma semana.
O movimento mostra a força da resistência do pecuarista diante da oferta mais limitada. Mesmo com a liquidez baixa, os vendedores não demonstram pressa para entregar os animais aos preços inicialmente indicados pelos compradores.
Em Rondônia, a mesma queda de braço foi observada. Os negócios ocorreram entre R$ 325 e R$ 330 por arroba, enquanto as escalas variaram de três a oito dias.
Carne ainda limita avanço da arroba
Apesar da oferta mais apertada de gado, o mercado da carne bovina ainda funciona como um freio para altas mais expressivas.
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina à vista registrou média de R$ 24 por quilo nesta quinta-feira, permanecendo praticamente estável.
A expectativa do mercado é de melhora nas vendas com a proximidade da semana de pagamento, o que pode aumentar a demanda por carne e, consequentemente, dar maior sustentação às cotações do boi gordo.
E o que esperar para a próxima semana?
O mercado entra no fim de semana em um cenário de equilíbrio delicado. A oferta restrita dá suporte aos preços, mas a demanda ainda não apresenta força suficiente para provocar uma arrancada da arroba.
A tendência, portanto, é de que a próxima semana comece com frigoríficos tentando manter as escalas e pecuaristas avaliando com cautela o momento de comercializar os animais.
Em Mato Grosso do Sul, esse movimento será acompanhado de perto pelo setor, especialmente porque qualquer mudança na capacidade de compra dos frigoríficos ou na demanda pela carne pode alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e procura.
Por enquanto, o fechamento da semana é de mercado firme, porém travado: há menos boi disponível, mas também pouca disposição dos compradores para pagar mais.
Caderno Agro
