
O governo ampliou novamente o volume de recursos destinado ao apoio de empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos e pelos conflitos no Oriente Médio. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentou de R$ 5 bilhões para R$ 9,1 bilhões sua participação no Plano Brasil Soberano 3, elevando o orçamento total do programa para R$ 22,6 bilhões.
A medida amplia o acesso das empresas brasileiras a linhas de financiamento justamente em um momento de maior pressão sobre os custos do crédito. Embora as taxas oferecidas pelo programa sejam inferiores às praticadas em boa parte do mercado, o cenário de juros elevados aumenta o custo de sustentação dessas operações e coloca mais pressão sobre as contas públicas.
Do total do programa, R$ 8,8 bilhões serão destinados a exportadores e fornecedores prejudicados pelas tarifas norte-americanas. Outros R$ 6,8 bilhões atenderão empresas que exportam para países do Golfo Pérsico, região afetada pelos conflitos no Oriente Médio.
Os R$ 7 bilhões restantes serão direcionados a setores considerados estratégicos para o comércio exterior. A divisão prevê R$ 1 bilhão para segmentos industriais relevantes para a balança comercial, R$ 4 bilhões para empresas produtoras de adubos, fertilizantes e insumos intermediários e R$ 2 bilhões para atividades industriais e tecnológicas ligadas a minerais críticos e estratégicos.
Na prática, o programa oferece crédito para capital de giro, exportações, compra de máquinas e equipamentos, expansão da capacidade produtiva, inovação e adaptação de produtos e processos. As taxas variam conforme o porte da empresa e a finalidade do financiamento, partindo de 3% para transformação de minerais críticos e chegando a 9,8% para capital de giro de grandes empresas.
O problema está no custo desse esforço em um ambiente de dinheiro caro. Quanto maior a necessidade de financiamento e mais elevados os juros, maior tende a ser a pressão sobre o custo das políticas de crédito e sobre o próprio endividamento público. O benefício imediato é tentar preservar empresas, investimentos e empregos; a conta, porém, precisa ser considerada no longo prazo.
O reforço do BNDES foi apresentado pelo governo como uma resposta à instabilidade do comércio internacional e uma forma de proteger setores considerados estratégicos para a economia brasileira. O presidente do banco, Aloizio Mercadante, destacou especialmente áreas como fertilizantes e minerais críticos.
Com a nova rodada de recursos, o Plano Brasil Soberano 3 passa a movimentar R$ 22,6 bilhões. A estratégia busca dar fôlego ao setor produtivo em um momento de incerteza externa, mas amplia também o desafio de conciliar estímulo à economia, crédito subsidiado e controle do custo das contas públicas.
Por: Amanda Coelho
