
A disparada do petróleo no mercado internacional ajudou a sustentar os ativos brasileiros nesta terça-feira (1º), mesmo diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O dólar encerrou o dia em queda, enquanto o Ibovespa avançou mais de 1% e voltou aos maiores níveis dos últimos meses.
A valorização da commodity beneficiou principalmente as ações da Petrobras, que estão entre os papéis de maior peso e liquidez da Bolsa brasileira.
O dólar comercial terminou o pregão cotado a R$ 5,153, com baixa de 0,54%. No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 6,12%.
O Ibovespa subiu 1,3%, aos 179.722,48 pontos, depois de superar a marca de 181 mil pontos durante o pregão. O fechamento foi o mais alto desde 12 de maio, há quase quatro meses.
No mercado internacional, o petróleo tipo Brent avançou 4,6%, para US$ 94,65 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, teve alta de 5,2%, encerrando a US$ 90,22.
Petróleo coloca Petrobras no centro das negociações
A escalada dos conflitos no Oriente Médio e novos ataques anunciados pelos Estados Unidos contra alvos no Irã aumentaram as preocupações sobre a oferta mundial de petróleo.
O cenário ganhou ainda mais atenção devido aos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte internacional da commodity e de derivados.
Com o petróleo em forte alta, as ações preferenciais da Petrobras subiram 4,11%, enquanto os papéis ordinários avançaram 4,14%.
A companhia também anunciou um aumento de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV), outro fator acompanhado pelos investidores.
O mercado ainda repercutiu o recorde da produção brasileira de petróleo. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país alcançou 4,5 milhões de barris por dia em julho.
Dólar perde força durante o pregão
O comportamento do câmbio também foi influenciado pelas perspectivas para a economia brasileira. No início da sessão, o dólar chegou a R$ 5,20 após a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.
A economia brasileira cresceu 0,5% entre abril e junho, depois de ter avançado 1,1% nos três primeiros meses do ano. A desaceleração da atividade reforçou a percepção de que o Banco Central poderá voltar a reduzir a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano.
Juros menores tendem a diminuir a atratividade dos investimentos brasileiros para o capital estrangeiro. Ao longo do dia, porém, o dólar mudou de direção e chegou a R$ 5,13, acompanhando a valorização do petróleo e o desempenho de outras moedas de países emergentes.
O movimento ocorreu apesar da valorização do dólar diante de moedas de economias desenvolvidas. No fim da tarde, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis moedas, subia 0,27%, aos 99,681 pontos.
PIB mostra perda de ritmo da economia
O crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre também entrou no radar dos investidores. O resultado representa uma desaceleração em relação à expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre.
A perda de ritmo foi marcada pela retração do consumo das famílias e por um desempenho menos intenso da indústria. Ao mesmo tempo, o resultado alimentou as expectativas de cortes futuros da Selic.
O fluxo de capital estrangeiro segue como ponto de atenção. Na última sessão de agosto, a Bolsa brasileira registrou saída líquida de R$ 130 milhões em recursos externos. Até 28 de agosto, o saldo negativo acumulado no mês chegava a quase R$ 18,6 bilhões.
Bolsa brasileira vai na contramão de Wall Street
A alta do Ibovespa ocorreu em direção oposta ao desempenho dos principais índices acionários dos Estados Unidos.
O S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas negociadas no mercado norte-americano, terminou o pregão com queda de 0,71%. O rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos também avançou, em meio a um movimento global de venda desses papéis.
No Brasil, entretanto, a forte valorização do petróleo deu sustentação à Bolsa e ajudou a colocar as empresas ligadas à commodity entre os principais destaques do pregão.
Tensão no Oriente Médio mantém petróleo sob pressão
O WTI subiu US$ 4,46 no dia, alta de 5,2%, e fechou a US$ 90,22 por barril. Já o Brent para novembro, referência internacional, ganhou US$ 4,16, alta de 4,6%, encerrando a sessão em US$ 94,65.
A disparada ocorre em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio e ao aumento das preocupações com possíveis interrupções no fornecimento mundial de petróleo e derivados.
Para o mercado brasileiro, a combinação entre petróleo valorizado, ações da Petrobras em alta e dólar mais baixo acabou garantindo um pregão positivo, mesmo diante de um ambiente externo marcado por incertezas geopolíticas.
Por: Amanda Coelho
