Apesar do crescimento de 6,8% no segundo trimestre, agro deve perder força até o fim do ano

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O agronegócio brasileiro teve um desempenho expressivo no segundo trimestre de 2026, mas os próximos meses devem marcar uma perda de ritmo. O PIB da agropecuária avançou 6,8% entre abril e junho, na comparação com o mesmo período de 2025, sustentado principalmente pelo bom desempenho das lavouras e pela produção de carnes.

A soja foi o principal destaque entre as cadeias que contribuíram para o resultado. A primeira safra apresentou desempenho positivo e teve peso importante na expansão registrada pelo setor no trimestre. Café e cana-de-açúcar também ajudaram a impulsionar o resultado.

Apesar do crescimento robusto no primeiro semestre, a expectativa é de uma contribuição menor da agropecuária para a economia brasileira nos próximos trimestres. Para 2026, a projeção ainda aponta crescimento do PIB do setor, mas em uma faixa mais moderada, entre 1,6% e 2%.

Soja sustenta resultado, mas carnes podem perder força

A pecuária também teve participação importante no avanço do PIB agropecuário no segundo trimestre. O aumento dos abates de bovinos ocorreu em um cenário de forte demanda externa, especialmente da China.

O mercado chinês contava com uma cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida para a carne brasileira. O espaço disponível foi sendo ocupado ao longo do primeiro semestre e terminou o período praticamente esgotado.

Com a redução desse estímulo às exportações, os abates de bovinos já começaram a apresentar sinais de desaceleração no terceiro trimestre. O movimento deve retirar parte da força que a pecuária vinha oferecendo ao desempenho da agropecuária.

Além da carne bovina, outras culturas podem contribuir para uma expansão mais moderada nos próximos resultados. Entre elas estão milho, trigo e arroz.

No caso do milho, a segunda safra está chegando ao fim com uma produção estimada cerca de 2% menor que a do ano passado. O arroz entra agora em período importante de produção, enquanto eventuais perdas na safra de trigo devem aparecer com maior peso nos dados do final do ano.

Algodão, café e cana mantêm desempenho positivo

Na direção contrária, algumas cadeias continuam apresentando resultados favoráveis. Algodão, café e cana-de-açúcar permanecem entre os produtos com perspectivas positivas.

Ainda assim, para que a agropecuária consiga alcançar a projeção de crescimento de até 2% em 2026, a soja deverá continuar exercendo papel central.

O cenário mostra uma mudança no perfil do crescimento ao longo do ano: depois de uma primeira metade marcada por forte contribuição de importantes cadeias agrícolas e da pecuária, a segunda metade tende a apresentar uma expansão menos intensa.

El Niño preocupa para a safra de 2027

As condições climáticas também entram no radar do setor. O El Niño atualmente em atividade não deve provocar impactos suficientes sobre a produção de 2026 para comprometer de forma significativa o PIB da agropecuária neste ano.

O maior risco está relacionado à próxima safra. A intensidade e a duração do fenômeno ainda são incertas, mas o histórico de ocorrências de El Niño mostra que o fenômeno pode prejudicar a produção de grãos.

Dessa forma, os efeitos climáticos devem ser acompanhados principalmente pensando em 2027. Caso o fenômeno ganhe força e provoque alterações relevantes no regime de chuvas, culturas de grãos poderão sofrer impactos e alterar o desempenho da agropecuária no próximo ano.

O resultado de 6,8% no segundo trimestre, portanto, mostra um setor ainda forte, mas que deve encontrar um ambiente menos favorável na segunda metade de 2026. A soja permanece como principal sustentação, enquanto a menor força da pecuária, o desempenho de algumas culturas e os riscos climáticos passam a exigir maior atenção do mercado.

Por: Adriana Candido de Castro