Café recua com melhora das perspectivas de oferta no Brasil e no Vietnã

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Os preços futuros do café começaram setembro em forte queda, pressionados pela melhora das perspectivas de oferta global. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, a recuperação das exportações brasileiras, as condições climáticas favoráveis à próxima safra e o aumento dos embarques do Vietnã ampliaram a pressão sobre as cotações.

Na semana passada, o contrato de Arábica para dezembro de 2026 caiu 5,5%, para 295,6 centavos de dólar por libra-peso. Já o Robusta para novembro recuou 2,8%, encerrando a US$ 3.430 por tonelada.

No Brasil, dados parciais até 31 de agosto indicam recuperação dos embarques, sinalizando que a produção recorde da safra 2026/27 começa a chegar aos mercados consumidores. As exportações oficiais do mês ainda são aguardadas.

O clima também contribuiu para a pressão sobre os preços. As chuvas recentes nas principais regiões produtoras do Sudeste melhoraram as perspectivas para a safra 2027/28. A previsão de novas precipitações nos próximos dias, seguida por temperaturas mais elevadas, pode favorecer uma florada mais ampla e aumentar ainda mais a oferta esperada.

No Arábica, o cenário técnico permanece neutro, mas a combinação de clima favorável e maior disponibilidade pode manter as cotações abaixo de 300 centavos de dólar por libra-peso no contrato de dezembro.

No mercado de Robusta, a pressão também vem do Vietnã. Dados preliminares indicam exportações acima da média em agosto, enquanto os estoques certificados da variedade se recuperaram nas últimas semanas, impulsionados pelos embarques do Brasil e da Indonésia.

Apesar disso, fatores de risco continuam no radar, como o possível impacto do El Niño e o início mais lento da próxima safra vietnamita, previsto para ganhar ritmo a partir do fim de outubro.

Juros aumentam volatilidade

O cenário financeiro global também contribuiu para a volatilidade das commodities. A alta dos rendimentos dos títulos públicos em grandes economias elevou os custos de financiamento e pode dificultar a recomposição de estoques por torrefadores, importadores e comerciantes de café.

Para a Hedgepoint, a tendência é de manutenção da volatilidade no médio prazo. Com estoques nos mercados consumidores ainda relativamente baixos, o café permanece sensível às mudanças nas perspectivas de oferta.

No curto prazo, porém, a combinação de exportações brasileiras mais fortes, clima favorável no Brasil, maior oferta do Vietnã e recuperação dos estoques de Robusta mantém o viés de pressão sobre os preços.

Por: Adriana Candido de Castro