
O mercado do boi gordo em Mato Grosso do Sul encerrou a semana em ritmo moderado, refletindo um cenário de maior equilíbrio entre a oferta de animais e a necessidade de compra dos frigoríficos. No Estado, o preço médio da arroba ficou em R$ 347,91, segundo o Indicador do Boi Datagro, abaixo das cotações observadas em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
O comportamento do mercado sul-mato-grossense acompanha uma realidade de maior conforto para as indústrias frigoríficas, especialmente as de maior porte. De acordo com o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, essas empresas ainda trabalham com escalas de abate mais confortáveis, reduzindo a necessidade de elevar as ofertas para garantir matéria-prima.
Esse cenário é sustentado, em parte, pela utilização de animais de parceria e pelos confinamentos próprios mantidos pelas indústrias. Na prática, a estratégia amplia a capacidade de programação dos abates e diminui a dependência das compras no mercado spot.
Com isso, o produtor sul-mato-grossense encontra um mercado mais seletivo, no qual a formação de preço passa a depender não apenas da disponibilidade de gado, mas também do ritmo das exportações e do comportamento da carne bovina no atacado.
Iglesias destaca ainda que os agentes seguem atentos justamente a esses dois fatores. Enquanto as exportações e a demanda pela carne ajudam a dar sustentação aos preços, o maior conforto das escalas limita, no curto prazo, movimentos mais agressivos de alta na arroba.
Outro ponto de atenção está no mercado futuro, que, segundo o analista, apresenta descompasso em relação ao mercado físico, principalmente nos vencimentos de setembro e outubro.
Em Mato Grosso do Sul, portanto, o encerramento da semana mostra uma pecuária diante de um mercado firme, mas sem pressão generalizada de compra. Com a arroba em R$ 347,91 e os frigoríficos de maior porte contando com alternativas para garantir o abastecimento, o cenário exige atenção do produtor às condições de negociação e aos próximos movimentos da demanda interna e externa.
Por: Adriana Candido de Castro
