
A resistência de plantas daninhas aos herbicidas é um processo evolutivo que pode ser intensificado pela repetição de mecanismos de ação e pelo uso inadequado das ferramentas de controle. Levantamento realizado pela Ourofino Agrociência, com base em dados do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), aponta 61 casos confirmados no Brasil, envolvendo 29 espécies.
Entre as plantas daninhas com registros de resistência estão espécies presentes em diferentes sistemas produtivos brasileiros, como capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), capim-amargoso (Digitaria insularis), buva (Conyza spp.), caruru (Amaranthus hybridus), picão-preto (Bidens spp.), leiteiro ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e azevém (Lolium multiflorum).
Segundo a pesquisa, o surgimento da resistência não significa que o herbicida tenha criado essa característica na planta. O processo está relacionado à diversidade genética natural das populações de plantas daninhas. Mesmo antes da aplicação de um produto, podem existir, em baixa frequência, indivíduos com características que conferem menor suscetibilidade ou resistência a determinado mecanismo de ação.
“O ponto fundamental é entender que o herbicida não cria resistência. Ele funciona como um agente de seleção. Quando determinado mecanismo de ação é utilizado repetidamente, as plantas suscetíveis são controladas, enquanto aquelas que naturalmente possuem características de resistência têm maior chance de sobreviver e se reproduzir”, explica Roberto Toledo, gerente de Produtos Herbicidas da Ourofino Agrociência e membro do Conselho Executivo Consultivo do HRAC-BR.
Manejo influencia a preservação da eficiência
A chamada pressão de seleção ocorre quando determinadas práticas favorecem, ao longo das gerações, a permanência de indivíduos menos suscetíveis dentro de uma população. O fenômeno pode se intensificar quando o mesmo mecanismo de ação é utilizado repetidamente.
Na prática, uma aplicação eficiente elimina as plantas suscetíveis, enquanto eventuais indivíduos com características de resistência podem sobreviver e produzir sementes. Se esse processo se repetir por várias gerações, a frequência dessas características pode aumentar dentro da população.
Por isso, a ocorrência de escapes recorrentes deve ser observada com atenção, principalmente quando o tratamento foi realizado dentro das recomendações técnicas.
“Quando começam a surgir escapes recorrentes, principalmente da mesma espécie e após aplicações realizadas corretamente, é necessário investigar. Continuar utilizando sucessivamente o mesmo mecanismo de ação pode aumentar ainda mais a pressão de seleção e tornar o problema mais complexo nas safras seguintes”, afirma Toledo.
De acordo com o HRAC-BR, três fatores estão diretamente relacionados ao risco de evolução da resistência: a pressão de seleção exercida pelo herbicida, a frequência inicial dos genes que conferem resistência e a densidade da população da planta daninha.
Nesse cenário, práticas como a utilização sequencial de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação, a ausência de rotação de culturas, a dependência exclusiva do controle químico e a não eliminação das plantas que escaparam do tratamento podem aumentar a pressão de seleção.
Diversificação ajuda a preservar as ferramentas de controle
A estratégia, portanto, não está em abandonar o controle químico, mas em utilizá-lo dentro de um programa de manejo mais amplo. A combinação de diferentes mecanismos de ação, a rotação de ingredientes ativos e a integração com métodos culturais e mecânicos são apontadas como medidas importantes para reduzir a pressão de seleção.
A lógica é preservar a eficiência das ferramentas disponíveis por mais tempo, evitando que uma única estratégia seja utilizada de forma contínua sobre a mesma população de plantas daninhas.
“A recomendação é pensar a área como um sistema. Sempre que tecnicamente possível, devemos trabalhar com diferentes mecanismos de ação, planejar a rotação de ingredientes ativos e integrar ferramentas químicas a práticas culturais e mecânicas. Quanto maior a diversidade de estratégias, menor a dependência de uma única ferramenta de controle”, destaca Toledo.
A identificação precoce de escapes também faz parte desse processo. Quando uma planta daninha apresenta sobrevivência recorrente, a investigação pode ajudar a diferenciar uma eventual falha de aplicação de um possível caso de resistência, permitindo ajustar o manejo antes que o problema se amplie.
Para Toledo, o objetivo é justamente evitar que a pressão de seleção comprometa ferramentas que continuam sendo importantes para a agricultura.
“Não existe uma solução baseada exclusivamente em aumentar o número de aplicações. O caminho está em reduzir a pressão de seleção e evitar que os indivíduos resistentes tenham condições de dominar a população. É um trabalho de planejamento que começa antes da aplicação e precisa continuar ao longo das safras”, conclui.
O acompanhamento dos casos de resistência e a adoção de estratégias de manejo integrado são, nesse sentido, fundamentais para manter a eficiência dos herbicidas e ampliar a longevidade das tecnologias disponíveis aos produtores.
A resistência de plantas daninhas aos herbicidas é um processo evolutivo que pode ser intensificado pela repetição de mecanismos de ação e pelo uso inadequado das ferramentas de controle. Levantamento realizado pela Ourofino Agrociência, com base em dados do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), aponta 61 casos confirmados no Brasil, envolvendo 29 espécies.
Entre as plantas daninhas com registros de resistência estão espécies presentes em diferentes sistemas produtivos brasileiros, como capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), capim-amargoso (Digitaria insularis), buva (Conyza spp.), caruru (Amaranthus hybridus), picão-preto (Bidens spp.), leiteiro ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e azevém (Lolium multiflorum).
Segundo a pesquisa, o surgimento da resistência não significa que o herbicida tenha criado essa característica na planta. O processo está relacionado à diversidade genética natural das populações de plantas daninhas. Mesmo antes da aplicação de um produto, podem existir, em baixa frequência, indivíduos com características que conferem menor suscetibilidade ou resistência a determinado mecanismo de ação.
“O ponto fundamental é entender que o herbicida não cria resistência. Ele funciona como um agente de seleção. Quando determinado mecanismo de ação é utilizado repetidamente, as plantas suscetíveis são controladas, enquanto aquelas que naturalmente possuem características de resistência têm maior chance de sobreviver e se reproduzir”, explica Roberto Toledo, gerente de Produtos Herbicidas da Ourofino Agrociência e membro do Conselho Executivo Consultivo do HRAC-BR.
Manejo influencia a preservação da eficiência
A chamada pressão de seleção ocorre quando determinadas práticas favorecem, ao longo das gerações, a permanência de indivíduos menos suscetíveis dentro de uma população. O fenômeno pode se intensificar quando o mesmo mecanismo de ação é utilizado repetidamente.
Na prática, uma aplicação eficiente elimina as plantas suscetíveis, enquanto eventuais indivíduos com características de resistência podem sobreviver e produzir sementes. Se esse processo se repetir por várias gerações, a frequência dessas características pode aumentar dentro da população.
Por isso, a ocorrência de escapes recorrentes deve ser observada com atenção, principalmente quando o tratamento foi realizado dentro das recomendações técnicas.
“Quando começam a surgir escapes recorrentes, principalmente da mesma espécie e após aplicações realizadas corretamente, é necessário investigar. Continuar utilizando sucessivamente o mesmo mecanismo de ação pode aumentar ainda mais a pressão de seleção e tornar o problema mais complexo nas safras seguintes”, afirma Toledo.
De acordo com o HRAC-BR, três fatores estão diretamente relacionados ao risco de evolução da resistência: a pressão de seleção exercida pelo herbicida, a frequência inicial dos genes que conferem resistência e a densidade da população da planta daninha.
Nesse cenário, práticas como a utilização sequencial de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação, a ausência de rotação de culturas, a dependência exclusiva do controle químico e a não eliminação das plantas que escaparam do tratamento podem aumentar a pressão de seleção.
Diversificação ajuda a preservar as ferramentas de controle
A estratégia, portanto, não está em abandonar o controle químico, mas em utilizá-lo dentro de um programa de manejo mais amplo. A combinação de diferentes mecanismos de ação, a rotação de ingredientes ativos e a integração com métodos culturais e mecânicos são apontadas como medidas importantes para reduzir a pressão de seleção.
A lógica é preservar a eficiência das ferramentas disponíveis por mais tempo, evitando que uma única estratégia seja utilizada de forma contínua sobre a mesma população de plantas daninhas.
“A recomendação é pensar a área como um sistema. Sempre que tecnicamente possível, devemos trabalhar com diferentes mecanismos de ação, planejar a rotação de ingredientes ativos e integrar ferramentas químicas a práticas culturais e mecânicas. Quanto maior a diversidade de estratégias, menor a dependência de uma única ferramenta de controle”, destaca Toledo.
A identificação precoce de escapes também faz parte desse processo. Quando uma planta daninha apresenta sobrevivência recorrente, a investigação pode ajudar a diferenciar uma eventual falha de aplicação de um possível caso de resistência, permitindo ajustar o manejo antes que o problema se amplie.
Para Toledo, o objetivo é justamente evitar que a pressão de seleção comprometa ferramentas que continuam sendo importantes para a agricultura.
“Não existe uma solução baseada exclusivamente em aumentar o número de aplicações. O caminho está em reduzir a pressão de seleção e evitar que os indivíduos resistentes tenham condições de dominar a população. É um trabalho de planejamento que começa antes da aplicação e precisa continuar ao longo das safras”, conclui.
O acompanhamento dos casos de resistência e a adoção de estratégias de manejo integrado são, nesse sentido, fundamentais para manter a eficiência dos herbicidas e ampliar a longevidade das tecnologias disponíveis aos produtores.
