
A cota de carne bovina brasileira destinada ao mercado chinês em 2027 pode ser consumida já nos primeiros meses do ano caso não seja criado um mecanismo para distribuir os embarques ao longo do período. O alerta é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
A entidade discute com o governo brasileiro uma proposta para dividir o volume entre os frigoríficos e evitar uma concentração dos embarques no início do ano. Para 2027, a China estabeleceu uma cota de 1,128 milhão de toneladas para o Brasil, acima das 1,106 milhão de toneladas previstas para 2026.
O volume faz parte da salvaguarda aplicada pela China entre 2026 e 2028. Acima da cota, a carne brasileira continua podendo entrar no mercado, mas fica sujeita a uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota já aplicada. Para 2028, o limite está previsto em 1,151 milhão de toneladas.
A velocidade dos embarques em 2026 reforça a preocupação. Segundo comunicados do Ministério do Comércio da China, o Brasil havia atingido 50% da cota em 9 de maio, 80% em 21 de julho e 90% em 10 de agosto.
Com a aproximação do limite, os embarques brasileiros para a China recuaram cerca de 90% em agosto, segundo Perosa, e a expectativa é de manutenção de volumes baixos em setembro. O cenário reduziu as margens da indústria e obrigou frigoríficos a redirecionarem parte da produção para outros mercados.
Apesar da desaceleração recente, a demanda chinesa segue relevante. De janeiro a junho, o país importou 794,7 mil toneladas de carne bovina brasileira, alta de 24% ante o mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 4,87 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abiec.
A proposta em discussão prevê distribuir parcelas da cota entre frigoríficos considerando critérios como participação de mercado e histórico de exportações. A Abiec também pretende incluir no debate os novos frigoríficos habilitados a exportar para a China.
A entidade avalia que a definição antecipada do volume de 2027 pode concentrar negociações entre o fim deste ano e o início do próximo. Por isso, defende um modelo de gestão que permita distribuir os embarques ao longo do ano. A proposta ainda está em elaboração.
Por: Adriana Candido de Castro
