
No meio do cerrado sul-mato-grossense, onde os termômetros frequentemente ultrapassam os 35°C, um capítulo da história do sudoeste norte-americano ganha vida. A raça Santa Gertrudis, criada originalmente no sul do Texas (EUA) pelo lendário King Ranch para suportar condições de calor e aridez, encontrou em Nova Andradina (MS) o ambiente ideal para demonstrar uma de suas maiores virtudes zootécnicas: a resistência absoluta ao estresse térmico.
Desenvolvida no século XX às margens do rio Santa Gertrudis e reconhecida oficialmente em 1940, a raça chegou ao Brasil em 1953 trazida pela SWIFT King Ranch. Quase sete décadas depois, esse patrimônio genético passou por um movimento estratégico rumo ao Centro-Oeste. Em 2021, o médico veterinário Dr. Antônio Roberto Alves Corrêa, fundador do Grupo União do Brasil (FUB) e criador há mais de 35 anos, adquiriu o histórico Rebanho nº 1 do Brasil (antigo King Ranch do Brasil) e transferiu os animais para a Fazenda Lírio do Vale, em Nova Andradina.
“Trazer o Rebanho nº 1 para o Mato Grosso do Sul foi mais do que resgatar uma história centenária; foi colocar a genética do King Ranch exatamente onde ela se destaca. O Santa Gertrudis nasceu no Texas para vencer a adversidade do clima e, sob o sol do nosso estado, essa rusticidade se traduz em desempenho real a campo” explica o veterinário.
A ciência por trás da resistência ao sol e do trabalho a campo
Zootecnicamente, a capacidade de adaptação do Santa Gertrudis está fixada em sua origem composta (5/8 Shorthorn e 3/8 Brahman). Essa combinação confere aos animais pelagem curta e avermelhada, eficiente sistema de dissipação de calor e alta resistência a endo e ectoparasitas. Na prática, enquanto raças taurinas menos adaptadas buscam a sombra e reduzem o consumo de alimento nas horas mais quentes do dia, os touros Santa Gertrudis mantêm a rotina de pastejo e a atividade reprodutiva direta na invernada.
Segundo Anderson Fernandes presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Santa Gertrudis (ABSG), a grande vantagem do touro Santa Gertrudis no Centro-Oeste é a sua capacidade de produzir a campo pleno, trabalhando ativamente no pasto mesmo sob as mais altas temperaturas. “O estresse térmico costuma ser um gargalo que reduz a libido e a movimentação de reprodutores em climas quentes, mas o touro Santa Gertrudis não procura sombra, caminha longas distâncias e cobre a vacada com eficiência. É um reprodutor que mantém o rendimento, entrega bezerros pesados e garante acabamento de carcaça sem sentir o calor.”
Prova de fogo e consagração no campo
Essa adaptação não é recente na região. A Fazenda Santa Flora, também situada em Nova Andradina e conduzida por Thiago Amstalden e Telma Rubega (seleção 2T), comprova há mais de duas décadas a eficiência do gado no clima local. A história começou em 2001 com apenas duas novilhas.
“Acompanhamos o comportamento desse gado no pasto há 23 anos. É um animal que não sente as altas temperaturas, caminha longas distâncias, mantém a condição corporal e entrega bezerros pesados na desmama. A presença do rebanho do King Ranch aqui na região só confirma que Nova Andradina se tornou a verdadeira casa do Santa Gertrudis no Brasil”, pontua Thiago.
A consolidação de Nova Andradina como centro difusor dessa genética ganha um novo momento neste fim de semana. O Grupo União do Brasil apresentará exemplares desse plantel no 6º Leilão União do Brasil – Destaques do Plantel, oferecendo a pecuaristas do país a oportunidade de adquirir touros e matrizes provados para clima quente.
SERVIÇO
6º Leilão União do Brasil – Destaques do Plantel
- O que: Leilão de reprodutores PO, matrizes e seleções da raça Santa Gertrudis.
- Data: Sábado, 26 de setembro
- Horário: 13h
- Transmissão: Youtube Central Leilões
- Atendimento e Catálogo: @fazendasuniaodobrasil
