Cevada avança no campo, mas qualidade da safra preocupa indústria de cerveja

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A produção de cevada entra na reta final do ciclo no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país, mas o desempenho das lavouras ainda não garante que todo o potencial produtivo previsto inicialmente será convertido em matéria-prima de qualidade para a indústria de malte e cerveja.

Segundo a Emater/RS-Ascar, o Rio Grande do Sul cultiva aproximadamente 20,3 mil hectares de cevada nesta safra, com produtividade média projetada em 3.020 quilos por hectare. As lavouras avançam principalmente pelo enchimento de grãos, enquanto uma parcela já começa a entrar em maturação.

Na região de Soledade, cerca de 95% das áreas permanecem em enchimento de grãos e 5% já chegaram à maturação. Em Ijuí, as áreas destinadas à malteação também avançam na formação e no enchimento dos grãos, enquanto as lavouras destinadas à alimentação animal apresentam estágio mais adiantado.

O cenário ainda pode mudar até a colheita. A produtividade é um dos indicadores acompanhados, mas, para a indústria cervejeira, o rendimento não é o único fator determinante. Características como qualidade, padrão dos grãos e adequação à produção de malte definem quanto da safra efetivamente poderá ser direcionado à fabricação de cerveja.

A Emater/RS-Ascar aponta que os manejos fitossanitários estão praticamente concluídos na maior parte das regiões e que episódios de vento forte e granizo não provocaram danos significativos sobre as áreas acompanhadas.

Cerveja movimenta uma cadeia que também cresce em MS

Embora a produção de cevada esteja concentrada principalmente no Sul do país, o avanço da indústria cervejeira amplia a importância da matéria-prima para diferentes regiões brasileiras, inclusive Mato Grosso do Sul.

Levantamento já realizado pelo Caderno Agro identificou 12 fábricas de cerveja em funcionamento no Estado e 205 marcas catalogadas. O volume oficial produzido conjuntamente por essas empresas não é divulgado, devido ao sigilo industrial.

As estimativas disponíveis apontam, entretanto, para uma produção estadual na faixa de 120 milhões a 150 milhões de litros de cerveja por ano. A maior parte desse volume, entre 95% e 98%, está concentrada em indústrias regionais de médio porte, enquanto as microcervejarias representam uma parcela menor da produção.

O número mostra que, mesmo sem ser um grande produtor de cevada, Mato Grosso do Sul já possui uma cadeia cervejeira relevante e diversificada, formada por indústrias de diferentes portes e centenas de marcas.

Qualidade da cevada pesa na indústria

Para a indústria cervejeira, a colheita representa apenas uma etapa do processo. A cevada destinada à produção de malte precisa atender a parâmetros específicos para garantir o desempenho adequado durante a transformação do grão e, posteriormente, na fabricação da bebida.

Por isso, uma safra com boa produtividade no campo não significa necessariamente maior disponibilidade de matéria-prima para a indústria cervejeira. O volume que efetivamente será aproveitado depende também da qualidade dos grãos colhidos e de sua classificação.

No Rio Grande do Sul, a produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar ainda pode sofrer alterações até o encerramento da colheita. O resultado final deverá indicar quanto da produção terá condições de atender à indústria de malte e quanto seguirá para outras finalidades.

Na comercialização, a cevada destinada à produção de malte chegou a R$ 85 por saca de 60 quilos na região de Erechim, segundo a referência apresentada pela Emater/RS-Ascar. O valor é regional e pode variar conforme qualidade, destino da produção e condições de negociação.

Com as lavouras avançando para o fim do ciclo, a definição do volume efetivamente colhido e da qualidade dos grãos será decisiva para medir o potencial da oferta nacional de cevada para a indústria cervejeira nos próximos meses.

Por: Adriana Costa