Entregas de fertilizantes recuam 22,3% em julho e pressionam planejamento da safra 2026/27

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As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro recuaram 22,3% em julho, em um sinal de cautela dos produtores diante do crédito mais restrito, juros elevados e custos dos nutrientes. Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

Foram entregues 3,96 milhões de toneladas no mês, contra 5,09 milhões de toneladas em julho de 2025. No acumulado de janeiro a julho, o mercado recebeu 22,98 milhões de toneladas, queda de 8,8% em relação às 25,21 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

A retração ganhou força a partir de maio, quando as entregas passaram a apresentar quedas de 15% a 20% nos meses seguintes. Para a ANDA, o movimento está relacionado à piora das relações de troca, dificuldade de acesso ao crédito, juros elevados, riscos financeiros e incertezas no cenário internacional.

O recuo ocorre justamente durante o período de planejamento e aquisição de insumos para a safra 2026/27. O dado, porém, ainda não indica desabastecimento. O Ministério da Agricultura afirmou em setembro que não identificava risco de falta de fertilizantes no mercado.

Mato Grosso lidera consumo

Mato Grosso concentrou 25,4% das entregas nacionais entre janeiro e julho, com 5,83 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná, Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais.

A concentração acompanha o peso desses estados na produção de grãos e outras culturas de alta demanda por nutrientes.

Em Mato Grosso do Sul, a menor disponibilidade de crédito e o custo dos insumos também são fatores relevantes para o planejamento das lavouras, especialmente diante da necessidade de antecipação das compras para evitar exposição a oscilações de preços e disponibilidade.

Produção e importações também recuam

A produção brasileira de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho, queda de 19,9% em um ano. De janeiro a julho, foram 3,34 milhões de toneladas, redução de 19,7% frente ao mesmo período de 2025.

As importações também diminuíram. Foram 3,54 milhões de toneladas em julho, 21,4% abaixo do registrado um ano antes. No acumulado dos sete primeiros meses, as compras externas chegaram a 21,23 milhões de toneladas, queda de 7,6%.

Os fertilizantes nitrogenados exigem atenção especial, já que as importações de produtos como ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do volume registrado nos primeiros oito meses de 2025.

O mercado entra, portanto, em uma fase de atenção redobrada. A queda nas entregas ainda não significa falta de produto, mas mostra que o produtor está comprando menos em um momento decisivo para a formação dos estoques e para o planejamento da safra 2026/27. O comportamento do crédito, dos preços internacionais e das importações será determinante para os próximos meses.

Por: Redação Caderno Agro