Boi gordo bate recorde histórico e arroba chega a R$ 375 em Mato Grosso do Sul

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O preço do boi gordo atingiu um recorde nominal histórico nesta semana, com o Indicador Cepea/Esalq alcançando R$ 380 por arroba em São Paulo, maior valor da série iniciada em 1994. Em Mato Grosso do Sul, a cotação também avançou e fechou a sexta-feira (16) com média estadual de R$ 375/@, segundo referências da Scot Consultoria divulgadas pelo mercado pecuário.

Em Dourados, o boi gordo foi cotado a R$ 368/@ à vista e R$ 372/@ a prazo. Em Campo Grande, os valores chegaram a R$ 366/@ à vista e R$ 370/@ a prazo, enquanto em Três Lagoas as referências ficaram em R$ 363/@ e R$ 367/@, respectivamente. As três praças registraram altas na semana, refletindo a disputa dos frigoríficos por animais para abate.

Segundo pesquisadores do Cepea, a arroba acumula valorização de 10,4% desde o início de setembro. A principal sustentação vem da oferta restrita de bovinos terminados, insuficiente para atender com folga à demanda das indústrias. Os custos de reposição, a redução da disponibilidade de animais para engorda e o volume elevado de exportações de gado vivo também contribuem para limitar a oferta.

A demanda externa continua dando suporte às cotações, apesar das incertezas relacionadas à cota de exportação de carne bovina brasileira estabelecida pela China para 2026. A ampliação das compras por outros mercados, especialmente os Estados Unidos, tem ajudado a manter os embarques em níveis elevados.

Na avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a oferta limitada e as escalas de abate curtas mantêm a tendência de firmeza no mercado físico. Na maior parte das regiões pesquisadas, as programações dos frigoríficos estavam concentradas entre cinco e seis dias úteis, aumentando a necessidade de compra, sobretudo entre empresas de pequeno e médio porte.

O avanço, porém, pode perder intensidade na segunda quinzena de outubro. A redução gradual do impulso ao consumo após a entrada dos salários e a concorrência de proteínas mais baratas, como frango e carne suína, podem limitar novos reajustes.

Para a pecuária sul-mato-grossense, o recorde nacional e a valorização das referências estaduais reforçam o peso da oferta de animais terminados na formação dos preços. A continuidade desse movimento dependerá da capacidade dos frigoríficos de recompor suas escalas, do comportamento das exportações e da sustentação do consumo interno.

Por: Elaine Oliveira