
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), com apoio da FAPESP, desenvolveram um processo para transformar grãos quebrados de feijão-carioca em ingredientes para a indústria alimentícia, agregando valor a um material que perde preço comercial durante o beneficiamento.
O processo utiliza fracionamento a seco, com menor consumo de água e energia em comparação aos métodos convencionais de extração úmida. A tecnologia separa a farinha em duas frações: uma com concentração de 40% a 50% de proteína e outra rica em amido, permitindo o aproveitamento integral da matéria-prima.
Segundo o projeto, os grãos partidos representam de 1% a 5% do feijão processado. A fração proteica contém todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano e apresentou redução de até 95% nos fatores antinutricionais após tratamento térmico.
Os ingredientes já foram testados em bebidas vegetais, cappuccino em pó e salgadinhos. A tecnologia está em fase de testes de processamento industrial, conduzidos pela SL Alimentos, e alcançou níveis intermediários de maturidade tecnológica. A comercialização em maior escala depende das próximas etapas de validação e do interesse das indústrias.
A inovação pode ampliar o aproveitamento de matérias-primas nacionais e criar alternativas às proteínas de soja e ervilha, parte delas importada pelo Brasil.
