China suspende frigoríficos brasileiros e acende alerta para exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul

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Foto: Magnific

A decisão da China de suspender temporariamente as importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros voltou a acender o sinal de alerta no setor pecuário nacional, especialmente em estados fortemente dependentes das exportações, como Mato Grosso do Sul. A medida foi adotada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), que alegou ter encontrado resíduos de acetato de medroxiprogesterona — substância proibida naquele país — em cargas exportadas pelo Brasil.

As unidades suspensas pertencem à JBS, em Pontes e Lacerda (MT), PrimaFoods, em Araguari (MG), e Frialto, em Matupá (MT). Além delas, um frigorífico do grupo Frigosul, em Várzea Grande (MT), já havia sido desabilitado anteriormente pelo mesmo motivo.

Apesar de nenhuma planta frigorífica de Mato Grosso do Sul ter sido atingida diretamente pela suspensão, o episódio preocupa o setor produtivo sul-mato-grossense devido à forte dependência do mercado chinês. Atualmente, a China é o principal destino da carne bovina brasileira e também da proteína produzida em Mato Grosso do Sul.

China concentra grande parte das exportações de MS

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que a China segue como o maior comprador da carne bovina sul-mato-grossense. Em 2025, mais da metade das exportações estaduais de carne bovina tiveram como destino o mercado chinês, incluindo Hong Kong.

Mato Grosso do Sul encerrou o último ano entre os principais exportadores de carne bovina do Brasil, impulsionado pelo aumento do abate, valorização da arroba e expansão das habilitações frigoríficas para o mercado asiático.

Segundo dados do setor, o Estado exportou centenas de milhares de toneladas de carne bovina ao longo de 2025, movimentando bilhões de dólares. A China responde por uma parcela estratégica dessa receita, sustentando preços internos da arroba e garantindo liquidez à indústria frigorífica.

A suspensão anunciada pelas autoridades chinesas não representa embargo à carne brasileira como um todo, mas reforça a rigidez sanitária adotada pelo país asiático, principal parceiro comercial do agro brasileiro.

O maio número de frigoríficos está em mato Grosso – Foto: Divulgação

Mercado teme impacto indireto nos preços

Mesmo sem envolver frigoríficos sul-mato-grossenses, o mercado acompanha a situação com cautela. Isso porque qualquer restrição chinesa gera insegurança comercial e pode provocar pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Analistas do setor avaliam que, se novas suspensões ocorrerem ou houver ampliação das restrições, o reflexo pode atingir diretamente estados exportadores como Mato Grosso do Sul, especialmente em um momento de recuperação das escalas de abate e reorganização da oferta pecuária.

A China adota uma das políticas sanitárias mais rígidas do mundo para importação de alimentos. Casos envolvendo resíduos hormonais costumam gerar respostas imediatas das autoridades chinesas, incluindo suspensão de plantas específicas até apresentação de esclarecimentos técnicos.

Substância é proibida na China

O acetato de medroxiprogesterona é um hormônio sintético utilizado em aplicações veterinárias ligadas ao controle reprodutivo. Entretanto, a substância é proibida pela legislação sanitária chinesa para animais destinados ao abate.

O governo brasileiro ainda não detalhou oficialmente como ocorreu a detecção do composto nem quais medidas corretivas serão adotadas. Até o momento da divulgação das suspensões, o Ministério da Agricultura não havia se pronunciado oficialmente.

O caso reforça a importância do controle sanitário rigoroso dentro da cadeia pecuária brasileira, principalmente em estados exportadores como Mato Grosso do Sul, onde a bovinocultura representa um dos pilares da economia estadual.

Mato Grosso do Sul vive momento estratégico na pecuária

O episódio ocorre justamente em um período de expansão da pecuária sul-mato-grossense. O Estado vem ampliando mercados internacionais, aumentando o volume de abates e consolidando investimentos em rastreabilidade, sanidade e sustentabilidade da produção.

Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul também avançou em protocolos internacionais exigidos por países importadores, buscando agregar valor à carne bovina produzida no Estado.

Para lideranças do setor, episódios pontuais como este reforçam a necessidade de vigilância constante, transparência sanitária e fortalecimento dos protocolos de exportação para preservar a credibilidade da carne brasileira no exterior.

Por: Amanda Coelho