
Frigoríficos brasileiros com forte dependência do mercado chinês começam a ajustar a produção diante da proximidade do esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China. A informação foi publicada inicialmente pelo Globo Rural, com base em entrevistas realizadas junto a empresas do setor em diferentes estados.
A preocupação é maior em regiões que possuem poucas alternativas de exportação. No Pará, por exemplo, empresas já anunciaram redução no ritmo de abate e até demissões. Já em Mato Grosso do Sul, apesar da forte ligação com o mercado chinês, a estratégia tem sido ampliar a presença em outros destinos para reduzir riscos.
Um dos exemplos é a Iguatemi Beef, de Iguatemi (MS), que destina mais de 80% da produção ao mercado chinês. Segundo o presidente da empresa, Marcos Alexandre Domingues, o foco agora é fortalecer as vendas para países da América Latina, Oriente Médio e Estados Unidos, enquanto mantém os investimentos na promoção da carne brasileira junto aos consumidores chineses.
A China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o país asiático respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras do produto nos últimos anos, consolidando-se como o principal comprador da proteína nacional.
Mato Grosso do Sul mantém protagonismo
Em Mato Grosso do Sul, a dependência do mercado chinês também é significativa. O Estado possui um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil, com aproximadamente 18 milhões de cabeças, e segue entre os principais exportadores de carne bovina do país.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e da Abiec, a China permanece como o principal destino das exportações sul-mato-grossenses, absorvendo parcela relevante da carne produzida no Estado. O chamado “boi-China”, animal que atende às exigências sanitárias e de idade impostas pelo mercado chinês, tornou-se referência na pecuária local e contribuiu para a modernização dos sistemas produtivos.
Apesar do cenário de cautela, lideranças do setor avaliam que a demanda chinesa segue sólida no longo prazo. A expectativa é que a ampliação do consumo de carne bovina naquele país continue sustentando oportunidades para os exportadores brasileiros.
Enquanto isso, frigoríficos e pecuaristas acompanham de perto os movimentos do comércio internacional e buscam ampliar mercados para garantir maior estabilidade às operações, especialmente em estados exportadores como Mato Grosso do Sul.
Por: Adriana Cândido de Castro
Com informações do Globo Rural
